"Resolveremos esse problema de tal forma que nunca mais dependeremos de parceiros ocidentais, sejam governos ou empresas que não são guiados pelos interesses de seus negócios, mas se tornaram uma ferramenta de agressão política, que a Rússia está agora experimentando do Ocidente", disse Lavroc, após conversações com os Ministros do Exterior ucranianos e turcos, Dmitry Kuleba e Mevlut Cavusoglu.

"Vamos garantir que nunca mais nos encontremos em uma situação semelhante e que nenhum 'Tio Sam' ou qualquer outra pessoa possa tomar decisões que visem destruir nossa economia", prometeu Lavrov. "Encontraremos uma maneira de não depender mais disso, o que deveria ter sido feito há muito tempo".

Ao comentar alegações de que a Rússia usa suas reservas de petróleo e gás como arma, Lavrov preferiu deixar tais acusações "a critério e consciência de nossos colegas ocidentais", acrescentando "Nunca usamos petróleo e gás como arma, embora eles nos acusem regularmente de fazê-lo".

A este respeito, o ministro lembrou que há mais de dez anos, a Ucrânia provocou uma crise ao entrar no hábito de roubar gás natural russo, que era fornecido através de seu território via gasodutos de trânsito da Rússia para a Europa.

"Nós enviamos regularmente gás em trânsito para a Europa em total conformidade com nossas obrigações em relação a volumes e preços, mas os ucranianos o desviaram", disse.

"Você acha que a Europa de alguma forma tentou administrá-los? De jeito nenhum: eles começaram a alegar que era a Rússia que estava fazendo desse gás uma arma, embora soubessem perfeitamente bem o que realmente estava acontecendo".

Ucrânia como ferramenta contra a Rússia

Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes do conflito
Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes do conflito

"Tudo o que está acontecendo com relação à Ucrânia é medido por um padrão, como prejudicar a Rússia através deste país e como conter a Rússia", disse o principal diplomata russo.

"Essa contenção começou há muito tempo, antes de ser anunciada oficialmente", acrescentou.

Lavrov destacou o fato de que no Ocidente "chamaram a Rússia de todos os nomes possíveis, impuseram sanções, proibiram suas empresas de permanecer no país, todos partiram, mas ao mesmo tempo dizem que vão comprar petróleo e gás, porque senão eles vão congelar de frio", um comportamento que demonstra perfeitamente os chamados valores da Europa, segundo o diplomata.

O ministro também falou sobre as ameaças que ecoam no Ocidente de impor um embargo à compra de recursos energéticos russos. "Vá em frente! Se eles pararem de comprar petróleo e gás, nosso vice-primeiro-ministro Alexander Novak, que supervisiona o setor de energia, explicou em detalhes que não vamos persuadi-los a comprar nosso petróleo e gás", ressaltou.

"Se quiserem substituí-lo, são bem-vindos. Teremos mercados para vendas, já os temos", acrescentou Lavrov.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

* Com informações da TASS

Veja também: