Com avanço de 4,0% (+3,6 milhões de pessoas empregadas) no terceiro trimestre, a população ocupada do País chegou a 93 milhões e era composta por 66,4% de empregados, 4,1% de empregadores, 2,1% de trabalhadores familiares auxiliares e 27,4% de pessoas que trabalhavam por conta própria.

“No terceiro trimestre, houve um processo significativo de crescimento da ocupação, permitindo, inclusive, a redução da população desocupada, que busca trabalho, como também da própria população que estava fora da força de trabalho”, diz a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Os grupamentos de atividades em alta frente ao 2º trimestre foram: Indústria Geral (6,3%, ou mais 721 mil pessoas), Construção (7,3%, ou mais 489 mil pessoas), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (7,5%, ou mais 1,2 milhão de pessoas), Alojamento e alimentação (11,0%, ou mais 486 mil pessoas) e Serviços domésticos (8,9%, ou mais 444 mil pessoas).

Entre as categorias de emprego que mais cresceram frente ao trimestre anterior estão os empregados do setor privado sem carteira assinada (+10%), que somaram 11,7 milhões de pessoas, enquanto o número de trabalhadores domésticos chegou a 5,4 milhões, aumento de +9%, o maior desde o início da série histórica, em 2012.

“É um processo de recuperação que já vinha ocorrendo a partir de junho. A categoria dos empregados domésticos foi a mais afetada na ocupação no ano passado e, nos últimos meses, há uma expansão importante. Embora haja essa recuperação nos últimos trimestres da pesquisa, o contingente atual desses trabalhadores é inferior ao período pré-pandemia”, explica Adriana Beringuy.

O número de trabalhadores por conta própria (25,5 milhões de pessoas) cresceu 3,3% (817 mil pessoas) na comparação mensal e 18,4% (4,0 milhões de pessoas) na comparação anual.

O percentual da população ocupada trabalhando por conta própria foi de 27,4% no País. Amapá (38,2%), Amazonas (36,4%) e Pará (36,1%) mostraram os maiores percentuais e Distrito Federal (21,5%), São Paulo (23,4%) e Mato Grosso do Sul (24,2%), os menores.

A taxa de informalidade foi de 40,6% da população ocupada, ou 38 milhões de trabalhadores informais. As maiores taxas foram no Pará (62,2%), Amazonas (59,6%) e Maranhão (59,3%) e as menores, em Santa Catarina (26,6%), São Paulo (30,6%) e Distrito Federal (31,8%).

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 33,5 milhões de pessoas, subindo 4,4% (mais 1,4 milhão de pessoas) frente ao trimestre anterior e 8,6% (mais 2,7 milhões de pessoas) frente a 2020.

O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada era de 74,1% dos empregados do setor privado. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (89,2%), Rio Grande do Sul (82,9%), São Paulo (81,8%) e Paraná (80,9%) e os menores, no Maranhão (49,6%), Pará (52,0%), Sergipe (52,8%) e Piauí (54,0%).

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (11,7 milhões de pessoas) apresentou elevação de 10,2% (1,1 milhão de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 23,1% (2,2 milhões de pessoas) em relação a igual trimestre de 2020.

Apesar do avanço no número de pessoas ocupadas, o rendimento real habitual recuou -4,0% frente ao trimestre anterior e -11% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. A massa de rendimentos ficou estável nas duas comparações.

De acordo com Beringuy, os dados sugerem que o aumento da ocupação foi puxado por postos de trabalho com salários menores. “Há um crescimento em ocupações com menores rendimentos e também há perda do poder de compra devido ao avanço da inflação”.

Desocupação

A taxa de desocupação do País no 3° trimestre de 2021 foi de 12,6%, com quedas de 1,6 ponto percentual (p.p.) ante o 2º trimestre de 2021 (14,2%) e de 2,2 p.p. frente ao 3º trimestre de 2020 (14,9%).

Frente ao 2º trimestre, a taxa de desocupação recuou em 20 das 27 unidades da Federação, com estabilidade nas demais. As maiores taxas foram registradas em Pernambuco (19,3%), Bahia (18,7%), Amapá (17,5%), Alagoas (17,1%) e Sergipe (17,0%) e as menores, em Santa Catarina (5,3%), Mato Grosso (6,6%), Mato Grosso do Sul (7,6%), Rondônia (7,8%) e Paraná (8,0%).

No 3º trimestre de 2021, São Paulo permaneceu com taxa de desocupação (13,4%) acima da média nacional.

Taxa de desocupação por UF. Fonte/Arte: © IBGE
Taxa de desocupação por UF. Fonte/Arte: © IBGE

A taxa composta de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação à força de trabalho ampliada) foi de 26,5%. As maiores taxas foram do Maranhão (43,0%), Piauí (42,7%), Sergipe (42%), Bahia (41,1%), Alagoas (40,8%) e as menores, de Santa Catarina (9,9%), Mato Grosso (12,9%) e Rondônia (16,9%).

A população subutilizada (30,7 milhões de pessoas) diminuiu 5,7% (menos 1,9 milhão de pessoas) frente ao trimestre anterior (32,6 milhões de pessoas) e 8,9 p.p. (menos 3,0 milhões de pessoas) no confronto com igual trimestre de 2020 (33,7 milhões de pessoas subutilizadas).

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (7,8 milhões de pessoas) apresentou estabilidade em relação ao trimestre anterior (7,7 milhões de pessoas) e crescimento em relação ao ano anterior (6,3 milhões de pessoas).

A população fora da força de trabalho (65,5 milhões de pessoas) recuou 2,7% (menos 1,8 milhão de pessoas) ante o trimestre anterior e caiu 9,4% no ano (menos 6,8 milhões de pessoas).

O número de desalentados foi de 5,1 milhões de pessoas. O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada foi de 4,6%. Maranhão (17,6%) e Alagoas (15,1%) tinham os maiores percentuais e Santa Catarina (0,7%), Mato Grosso (1,2%) e Rio Grande do Sul (1,4%), os menores.

PNAD

A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no País. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de mais de 500 agências do IBGE.

Em função da pandemia, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone desde 17 de março de 2020.

A nova série da PNAD Contínua foi reponderada buscando mitigar possíveis vieses de disponibilidade em grupos populacionais, intensificados pela queda da taxa de aproveitamento das entrevistas, realizadas excepcionalmente por telefone.

* Com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE

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