• A sublinhagem BA.2 da variante Ômicron já está presente em 43 países.
  • No Brasil, a sublinhagem ainda não foi identificada.
  • Não há indícios de que a Ômicron BA.2 represente maior severidade, mas uma das hipóteses colocada é se poderá causar reinfecções mesmo em quem foi infectado com a variante Ômicron original (BA.1).

BA.1 e BA.2 compartilham 38 mutações, enquanto BA.1 tem outras 20 e BA.2 outras 27 assinaturas únicas em seu nome. Isso não precisa refletir nada, exceto que o cadinho da passagem serial enfraqueceu o efeito normal da “interferência clonal” na perpetuação de um genoma de consenso abaixo do ideal.

O receio é que BA.2 seja uma espécie de reinfecção Ômicron pré-carregada: assim que BA.1 encontra resistência de anticorpos, BA.2 manterá acesa a chama da infecção. Especula-se que isso seja o que está impulsionando o aumento contínuo de casos na Dinamarca, na ausência de qualquer evidência real que demonstre “reinfecções Ômicron desenfreadas”.

O que importa é o tropismo conferido pelas mutações únicas na proteína spike. BA.2 deve ou trilhar o mesmo terreno que BA.1 (no trato respiratório superior, onde a imunidade celular estará em alerta máximo para aqueles que se recuperam de Ômicron) ou deve tentar iniciar a infecção em locais mais hostis (onde a infecção será facilmente eliminada por aqueles com imunidade inata funcional).

Mesmo que BA.2 reescreva a proteína spike do zero, há um limite de quantas maneiras a história de uma “infecção respiratória” pode ser contada. Para SARS-CoV-2, esse limite já pode ter sido atingido.

Até agora também não há informações se BA.1 e BA.2 têm propriedades diferentes, informa o Statens Serum Institut.

A análise inicial não mostra diferenças nas hospitalizações por BA.2 em comparação com BA.1. As análises sobre infecciosidade e eficiência da vacina estão em andamento, incluindo tentativas de cultivar BA.2 para realizar estudos de neutralização de anticorpos. Espera-se que as vacinas também tenham um efeito contra a doença grave após a infecção por BA.2.

“A linhagem descendente BA.2, que difere de BA.1 em algumas das mutações, inclusive na proteína spike, está aumentando em muitos países. Investigações sobre as características da BA.2, incluindo propriedades de escape imunológico e virulência, devem ser priorizadas independentemente (e comparativamente) à BA.1.”, destacou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta quarta-feira (26).

Fonte/Arte: Mike Honey/rede social
Fonte/Arte: Mike Honey/rede social

Na Dinamarca, o fato da BA.2 ter capacidade de sobrepor à BA.1 rapidamente, e de prolongar a atual onda de infecções no país – que registra recordes de testes positivos diariamente, não gerou alertas sobre um possível agravamento epidemiológico.

Na terça-feira (25), a imprensa local noticiou que o comitê científico de aconselhamento de epidemias recomendou ao governo remover todas as restrições.

No dia anterior, as autoridades de saúde do país já tinham mudado as regras de isolamento em caso de teste positivo, reduzindo-o para quatro dias caso a pessoa não tenha sintomas ao fim desse período. Os contatos, mesmo aqueles que vivem com uma pessoa infectada, foram dispensados do isolamento profilático, bastando um teste rápido ao fim de três dias.

Nesta quarta-feira (26), o governo dinamarquês anunciou em coletiva de imprensa que pretende levantar as restrições em 1º de fevereiro.

"Estamos prontos para sair da sombra do coronavírus. Nos despedimos das restrições e saudamos a vida que tínhamos antes. A pandemia continua, mas já passamos a fase crítica", disse a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em conferência de imprensa.

"O governo decidiu que o coronavírus não deve ser mais considerado uma ameaça para a sociedade", acrescentou Frederiksen.

Serão extintas imposições de passaporte vacinal e uso de máscaras e desaparecerão as restrições nos restaurantes, na vida cultural e social. As discotecas reabrirão.

As restrições de entrada na Dinamarca serão mantidas por mais quatro semanas, sendo exigido teste e/ou quarentena dependendo do país de origem do viajante.

Diversidade genética

Em Portugal, a Ômicron BA.1 se mantém dominante, mas desde a primeira semana de janeiro houve uma diminuição de 12% dos resultados de testes PCR com falha de "gene S", uma indicação de aumento da circulação da BA.2 no país.

Na Ômicron original (BA.1) há uma falha genética que distingue a variante – a anomalia não está presente na BA.2, que pode ser detectada em determinados equipamentos de PCR, possibilitando atualizações frequentes das projeções da progressão da Ômicron, em contraste com o sequenciamento genético.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde, a Ômicron original está associada a cerca de 80% das novas infecções em Portugal e a BA.2 entre 10 e 20%.

O instituto ressalta que apesar das análises genômicas da semana encerrada em 24 de janeiro ainda não terem sido concluídas, os dados “não ilustram um aumento acentuado e consistente da frequência relativa desta linhagem em Portugal, ao contrário do que se tem observado noutros países”.

De acordo com dados revelados na terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Segurança Social à agência Lusa, de 1º a 24 de janeiro foram processadas 187 mil baixas por covid-19. No período, foram diagnosticadas cerca de 890 mil infecções por SARS-CoV-2 – 240 mil em indivíduos até 19 anos, indicando que a maioria das infecções não progrediu para casos que justificassem afastamento pela doença.

No caso das baixas por isolamento profilático, os dados revelam que foram processadas 169 mil subsídios, 11 vezes mais do que em dezembro. Na terça-feira, havia mais de 520 mil contatos em vigilância (em casa), muitos trabalhando remotamente.

No ano passado, entre baixas covid-19 e por isolamento profilático, estas medidas extraordinárias de apoio da Segurança Social tiveram um custo de 230 milhões de euros, quase dobrando a despesa de cerca de 125 milhões em 2020.

No Reino Unido, a expectativa é que a BA.2 possa tornar-se dominante, mas a Inglaterra vai avançar esta semana com o relaxamento de restrições.

Antes da Ômicron tornar-se dominante, foram identificadas cerca de 200 sublinhagens da variante Delta, notou esta semana François Ballout, do Instituto de Genética do University College London.

Atualização 27/01/2022

O número de doentes internados em enfermarias dedicadas a covid-19 está aumentando de forma expressiva nas últimas semanas em Portugal.

Os hospitais estão sob pressão devido à logística da separação de enfermarias, mas a gravidade dos pacientes não tem comparação com a de ondas anteriores. Uma parte substancial são pessoas que foram internadas por outras patologias, ou porque foram vítimas de acidentes, ou ainda, iam ser operadas, e se descobriu que estavam infectadas com SARS-CoV-2 quando foram testadas na admissão, explicam médicos de vários hospitais portugueses ouvidos pelo PÚBLICO. Mesmo nas unidades de cuidados intensivos, uma parte dos pacientes em estado crítico não está ali por complicações com covid-19, mas por outros motivos.

O panorama difere de hospital para hospital, as proporções variam, mas os números apurados sugerem que os relatórios diários da Direção-Geral da Saúde (DGS) traçam um quadro que não corresponde à real dimensão dos casos de covid-19 que estão a chegar aos hospitais.

O virologista Pedro Simas defendeu nesta quarta-feira (26) que Portugal já entrou na fase de endemia e deve voltar à normalidade, protegendo os grupos de risco e acabando com o uso generalizado de máscara e com os isolamentos.

* Com informações do Jornal i, Público.pt

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