As gravações de House of the Dragon em Portugal vão acontecer nas localidades de Monsanto e Penha Garcia.

A autarquia de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, já divulgou as diferentes zonas do concelho que vão estar interditadas até o início de novembro.

Apesar das dificuldades técnicas e logísticas para filmar no castelo e na Aldeia Histórica de Monsanto, os produtores decidiram pela locação medieval, transformando-a numa estrela internacional de televisão.

Várias regiões europeias que receberam filmagens de A Guerra dos Tronos ao longo das oito temporadas viram o turismo local explodir nos anos que se seguiram. Na Espanha, locais como Alcázar de Sevilha, Almeria, Cáceres ou Osuna, na Andaluzia, viu o turismo crescer 75% após a gravação da série.

Com a escolha de Monsanto, surge uma das maiores oportunidades para a divulgação do interior de Portugal, não só como destino turístico, mas também como localização para produções internacionais de televisão e cinema, somando recursos naturais, patrimônio histórico, luz ideal para gravações e baixos preços.

“A possibilidade de podermos ter uma produtora que venha utilizar o nosso patrimônio, como é o caso de Monsanto, para filmagens da prequela de A Guerra dos Tronos, é para nós uma oportunidade de excelência. Não só para dar notoriedade ao território, mas depois, em termos de economia, a própria produção traz-nos uma economia muito significativa, uma envolvência de todos os agentes. São dois aspectos muito importantes. Obviamente estamos muitíssimo interessados”, disse em agosto o Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto. “Gostaria de ver os dragões em Monsanto, a sobrevoar a região toda”.

Aldeia medieval

Monsanto é um vilarejo com menos de 1.000 habitantes, situado próximo da fronteira com a Espanha. A principal atração é a própria aldeia, um conglomerado de antigas casas de pedra que se fundem com as rochas.

A vila é evocadora de um certo imaginário rural medieval. Ruas estreitas, íngremes, calcetadas de granito, onde as casas surgem por entre os enormes blocos pétreos, caracterizam o núcleo principal. A igreja Matriz é um dos edifícios que melhor definem os espaços. À entrada da vila, surge diante da principal rua da localidade, que liga ao Pelourinho e à Igreja da Misericórdia. É uma construção modesta, com prováveis raízes medievais, mas profundamente alterada no século XVIII. A praça principal é caracterizada pelo pelourinho, do século XVI, e ergue-se à sombra da Torre do Relógio, ou de Lucano, uma torre defensiva que permite um amplo campo de visão para as zonas a ocidente da aldeia, e em cujo topo se implantou o famoso galo de prata, prêmio do concurso de Aldeia mais Portuguesa.

Castelo de Monsanto

Os vários povos que passaram por Idanha-a-Velha (a antiga Egitânia romana) deixaram diversos vestígios monumentais. Com efeito, Idanha-a-Velha foi a capital da civitas Igaeditanorum, cuja fundação é atribuída a Augusto.

À época da Reconquista da Península Ibérica, D. Afonso Henriques (1112-1185) assenhoreou-se desta região, onde se estabeleceu a fronteira com o Reino de Leão e com o Califado Almóada. Para guardá-la, os domínios de Idanha-a-Velha e Monsanto foram doados aos cavaleiros da Ordem dos Templários com a responsabilidade de os repovoar e defender.

É atribuída a este período a construção do Castelo de Monsanto, sob a orientação do Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais, quando teria apresentado uma torre de menagem ao centro da praça de armas, envolvida por muralhas semelhantes às que podem ser observadas nos castelos de Almourol, Pombal ou Tomar.

Atribui-se à ação de D. Dinis (1279-1325) a reconstrução e ampliação das suas defesas.

Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), o castelo e as defesas da vila encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), com os muros reforçados por cinco torres, a mais alta, ao centro, a de menagem. Dessa estrutura, poucos elementos ainda estão preservados.

No início do século XVIII, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola, tendo D. Pedro II (1667-1706) apoiado o arquiduque Carlos, que, como Carlos III, reivindicava a Coroa espanhola a Filipe V de Espanha, em 1704 um exército franco-espanhol de 10.000 homens invadiu Portugal subjugando, em sequência, Salvaterra do Extremo, Idanha-a-Nova, Idanha-a-Velha e Monsanto. Ainda nesse ano, a resposta portuguesa retomou todas as posições.

Ao longo da época moderna, enquanto a vila perdeu importância e as suas ruas ficaram desertas, o castelo manteve as anteriores prerrogativas. Diversos exércitos ali se enfrentaram, com invariável sucesso para os defensores da fortaleza, demasiado alta e de difícil acesso para ser vencida.

No início do século XIX, à época da Guerra Peninsular, uma nova campanha de remodelação de obras defensivas teve lugar em Monsanto. Nesse período, ocorreu a demolição de cinco torres e a construção de três novas baterias para reforço da defesa do portão de entrada, de um baluarte paralelo à muralha e do aproveitamento da igreja do castelo como paiol. Anos mais tarde, a explosão da pólvora aqui armazenada, causou severos danos ao castelo, agravados pelo desabamento de um penedo granítico, que levou consigo parte da muralha.

Monsanto foi sede de concelho até 1853. Nessa altura, já bastante despovoada, o reordenamento administrativo determinou a centralização de estruturas de poder em Idanha-a-Nova, que passou, então, a tutelar um vasto território oriental, até à linha de fronteira. Mais recentemente, a transformação do aglomerado em Aldeia Histórica determinou uma relativa inversão da desertificação.

* Com informações do patrimoniocultural.gov.pt

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