As autoridades nórdicas interromperam a administração da vacina da Moderna em adultos jovens devido a um risco aumentado de inflamação do músculo cardíaco, observado em estudo internacional, envolvendo 4 países, ainda a ser publicado.

Em julho, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou que havia risco de doenças cardíacas após a administração das vacinas de mRNA fabricadas pela Pfizer/BioNTech e Moderna, após uma reunião do Comitê de Avaliação de Risco, com o órgão pedindo que os efeitos adversos fossem divulgados para o público.

A EMA não foi a única a relatar casos de miocardite e pericardite, já que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos constataram que, desde abril de 2021, tinham ocorrido mais de mil casos de inflamações cardíacas relatadas após a inoculação das vacinas de mRNA no país. As notificações, mais comuns entre jovens, incluiam alguns casos em adolescentes com menos de 16 anos.

Os sintomas típicos são falta de ar, palpitações cardíacas irregulares e dor no peito.

Na terça-feira (5), a EMA aprovou o uso de dose extra da vacina da Moderna para pacientes a partir de 12 anos com sistema imunológico severamente deteriorado.

No dia seguinte (6), a Suécia suspendeu o uso da vacina da Moderna a toda a sua população com 30 anos ou menos, enquanto a Dinamarca interrompeu seu uso em pessoas entre 12 e 17 anos. A Noruega recomendou que homens com menos de 30 anos escolham a vacina Comirnaty, nome comercial da vacina da Pfizer/BioNTech.

"Homens com menos de 30 anos também devem considerar a escolha de Comirnaty quando forem vacinados", disse Geir Bukholm, chefe de controle de infecção do Instituto Norueguês de Saúde Pública, lembrando que Oslo já recomenda o produto da Pfizer para os menores de idade do país.

A Agência Sueca de Saúde Pública emitiu um comunicado anunciando que interromperá a distribuição do imunizante da Moderna, comercializado como Spikevax, oferecendo a faixa etária de menores de 30 anos a vacina Comirnaty.

Ao anunciar a suspensão, a agência sueca disse que os dados apontavam para um "aumento da incidência" de doenças inflamatórias cardíacas, miocardite e pericardite – principalmente em homens mais jovens e meninos adolescentes – "em conexão com a vacinação contra covid-19".

A nota afirmava que “novas análises preliminares de fontes de dados suecas e nórdicas indicam que a conexão é especialmente clara quando se trata da vacina Spikevax da Moderna, especialmente após a segunda dose”.

A população sueca mais jovem que já recebeu sua primeira dose do imunizante da Moderna, estimada em cerca de 80.000 pessoas, não poderá receber a segunda dose dessa vacina de acordo com seu regime de administração usual. A agência de saúde afirmou estar em busca da melhor alternativa para oferecer a este grupo.

Anders Tegnell, epidemiologista chefe da Suécia, disse que aqueles que foram vacinados recentemente, seja com sua primeira ou segunda dose da Spikevax, não devem se preocupar com o risco, observando que é muito pequeno, mas acrescentou que os suecos devem estar vigilantes quanto aos sintomas das duas doenças inflamatórias.

Um porta-voz da Moderna disse na noite daquela quarta-feira que estava ciente das decisões dos reguladores suecos e dinamarqueses.

“Esses são casos tipicamente leves e os indivíduos tendem a se recuperar em um curto período de tempo após o tratamento padrão e repouso. O risco de miocardite é substancialmente aumentado para aqueles que contraem covid-19, e a vacinação é a melhor maneira de se proteger contra isso”.

Na quinta-feira (7), em coletiva, o diretor do Instituto Nacional de Saúde e Bem-Estar da Finlândia, Mika Salminen, revelou que "um estudo nórdico envolvendo Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca" descobriu que homens com menos de 30 anos que receberam a Spikevax, da Moderna, tinham um risco maior do que outros de desenvolver miocardite, e afirmou que houve um “aumento da incidência” de doenças inflamatórias do coração após a inoculação, especialmente após a segunda dose.

O instituto finlandês informou que o estudo internacional será publicado dentro de algumas semanas e dados preliminares já foram enviados à EMA para avaliação.

Salminen disse que a inflamação do coração muitas vezes desaparece em poucos dias, mas anunciou que os jovens da Finlândia, entre 12 e 30 anos, que receberam sua primeira dose de Spikevax receberiam Comirnaty na segunda, enfatizando que é importante receber duas doses de vacina para proteção contra complicações graves da infecção pelo SARS-CoV-2, o vírus que pode causar a doença covid-19.

Na sexta-feira (8), a Islândia comunicou que a Spikevax não mais será usada no país.

"As vacinas Moderna não serão usadas neste país enquanto mais informações são obtidas sobre a segurança da vacina durante as vacinações de estimulação", diz o comunicado.

A restrição de uso não é apenas para os menores de 30 anos ou homens, mas para toda a população. As autoridades de saúde afirmam que existe um alto risco de problemas cardíacos. O uso da vacina da Moderna não será restabelecido até que informações adicionais sobre sua segurança sejam coletadas, confirmou ontem o epidemiologista-chefe da Islândia, Þórólfur Guðnason.

Nos últimos dois meses, a Spikevax tem sido usada na Islândia em vacinações de indução em idosos e imunocomprometidos que já receberam duas doses de um imunizante e naqueles vacinados com o produto de dose única da Janssen.

A decisão de aguardar dados adicionais para o uso do imunizante da Moderna, decorre do estoque suficiente de doses da Pfizer para a vacinação de estimulação de grupos prioritários e para a inoculação de quem ainda não foi imunizado.

Com cerca de 75% da população totalmente vacinada, o governo parecia estar próximo de alcançar proteção comunitária contra o vírus com a imunidade vacinal, mas recentemente emitiu novos decretos restritivos para tentar enfrentar o crescente número de infecções.

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