Em reunião com o Presidente Jair Bolsonaro e oito ministros pela manhã no Palácio do Planalto, o oncologista Nelson Teich, escolhido na tarde desta quinta-feira (16) para substituir Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde, declarou, segundo participantes, que é "equívoco" saúde e economia não trabalharem juntos no combate ao novo coronavírus.

O médico também fez sugestões para que o governo comece a divulgar diariamente os dados de pacientes curados de Covid-19, buscando “acabar com o pânico” e “dar um ar de esperança” aos infectados.

Nas últimas semanas, o oncologista tem publicado artigos na rede profissional LinkedIn sobre o coronavírus. Em um deles, intitulado "COVID-19: Histeria ou Sabedoria?", comenta sobre a polarização que tomou conta do Brasil no momento.

"A discussão sobre as estratégias e ações que foram definidas por governos, incluindo o brasileiro, para controlar a pandemia de Covid-19 mostra uma polarização cada vez maior, colocando frente a frente diferentes visões dos possíveis benefícios e riscos que o isolamento, o confinamento e o fechamento de empresas e negócios podem gerar para a sociedade", escreveu.

"É como se existisse um grupo focando nas pessoas e na saúde e outro no mercado, nas empresas e no dinheiro, mas essa abordagem dividida, antagônica e talvez radical não é aquela que mais vai ajudar a sociedade a passar por esse problema".

Em outro texto, "COVID-19: Como conduzir o Sistema de Saúde e o Brasil", Teich salienta que o isolamento horizontal, ao contrário do que defende Bolsonaro, é a melhor estratégia para o momento.

"Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da covid-19, e com a possibilidade do Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento. Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país."

Sobre a opção difundida pelo Presidente Bolsonaro, diz que não representaria uma solução definitiva para o problema.

"Como exemplo, sendo real a informação que a maioria das transmissões acontecem à partir de pessoas sem sintomas, se deixarmos as pessoas com maior risco de morte pela Covid-19 em casa e liberarmos aqueles com menor risco para o trabalho, com o passar do tempo teríamos pessoas assintomáticas transmitindo a doença para as famílias, para as pessoas de alto risco que foram isoladas e ficaram em casa. O ideal seria um isolamento estratégico ou inteligente".

Para Nelson Teich, "a situação do gestor de saúde é muito difícil, porque ele precisa tomar decisões duras usando informações e projeções que apresentam grande incerteza" e que "o sucesso vai depender da capacidade de colher dados críticos em tempo real, de incorporar e analisar essa base de dados atualizada, de ajustar as projeções quanto aos possíveis impactos das escolhas, rever as decisões e desenhar novas medidas e ações".

Segundo integrantes do governo, a posse do oncologista está prevista para a semana que vem.

Nascido no Rio de Janeiro, o médico se formou pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e se especializou em Oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A página do LinkedIn inclui também MBA da COPPEAD/UFRJ na área de administração de serviços hospitalares, especialização na Harvard Business School (EUA), e mestrado em Economia da Saúde pela Universidade de York (UK).

Teich atuou como consultor informal na campanha eleitoral do Presidente, em 2018, e participou do Governo Bolsonaro, entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, como assessor de Denizar Vianna, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

"O Nelson é dos principais oncologistas do País e é um grande empresário, empreendedor e gestor de saúde. Seu momento atual é de dedicação a causas públicas", diz Angélica Nogueira, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

A Associação Médica Brasileira, cujo presidente, Lincoln Lopes, era um dos cotados para substituir Luiz Henrique Mandetta no comando do Ministério da Saúde, divulgou uma nota na tarde desta quinta-feira informando que participou do aconselhamento para a escolha de Nelson Teich para a pasta.

A Associação Médica Brasileira informa que participou de audiência, na manhã e na tarde de hoje (16/04), com o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Jair Bolsonaro, acompanhando o dr. Nelson Luiz Sperle Teich. Estiveram presentes pela AMB Lincoln Lopes Ferreira, presidente, Diogo Leite Sampaio, vice-presidente, e José Bonamigo, diretor.

Durante a reunião, os problemas da saúde no Brasil e os impactos do coronavírus foram abordados.

Na mesma oportunidade a AMB declarou seu apoio ao nome de Nelson Luiz Sperle Teich para ocupar a pasta da Saúde, pelo seu perfil altamente técnico, importante para o momento atual.

"Na AMB referendamos o nome de Nelson Teich. É um nome que conta com nosso total apoio e pelo qual temos muita simpatia. Respeitado na classe médica, eminentemente técnico, gestor e altamente preparado para conduzir o Ministério da Saúde", declarou Lincoln.

* Com informações da BBC, LinkedIn, O Globo

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