A fala ocorreu nesta segunda-feira, enquanto o ministro participava  da Declaração de Direitos de Liberdade Econômica, no Superior Tribunal  de Justiça.

Paulo Guedes criticou quem diz que o Brasil não está andando por culpa do governo. De acordo com o ministro, é preciso tempo para começar a ver resultados. Afirmou que a social-democracia teve a sua chance, fazendo  referência aos governos passados, e que agora é a chance da  liberal-democracia fazer o Brasil crescer.

"Quebraram o setor elétrico, o setor de petróleo, os fundos de pensão e a economia parou. E agora, em cinco, seis meses, ‘o Brasil não está andando, culpa do novo governo’. Ora, senhores, quem governou (por) trinta anos o Brasil, a social-democracia, que fez muitas coisas boas...Dê um ano ou dois, dê uma chance de um governo de quatro anos para a  liberal-democracia. Não trabalhem contra o Brasil, tenham um pouco de  paciência. [...] Nós esperamos tantas vezes. Espera um pouquinho, espera quatro anos, vamos ver se melhora um pouco. Nos deem chance de trabalhar também", disse Guedes.

O ministro voltou a defender as reformas como maneira de tirar o Brasil do desemprego e da recessão econômica, mas lembrou que o  problema do Brasil não será resolvido apenas com uma reforma, e sim várias.

Guedes também afirmou que a crise  estrutural no Brasil leva pessoas a deixarem o país. Segundo ele, o movimento começou com a fatia mais rica da população e depois foi se ampliando.

"Está indo todo mundo embora, o menino prefere lavar prato em Barcelona, entregar pizza em Boston do que ficar no Brasil, porque não há emprego. E os senhores acham que quem está criando esse desemprego foram  esses quatro, cinco, seis meses de governo. Botem a mão na consciência e  reflitam um pouco se não chegou o tempo das reformas", afirmou.

Ao falar sobre os efeitos da medida provisória 881, conhecida como MP da Liberdade Econômica, que objetiva desburocratizar o ambiente de negócios no Brasil, sobretudo para empresas menores, Guedes teceu fortes críticas aos sindicatos.

"A legislação é capturada por piratas privados, permitindo a exploração  de 220 milhões de trouxas por meia dúzia de cartéis. Um cartel aqui, um cartel ali, um cartel acolá, e quando você tenta desregulamentar e libertar os mercados, eles (sindicatos) agem rápido, eles têm suporte  parlamentar. Vagabundos que compram influência, que preferem organizar pressões contra a sociedade. Imagina se cirurgiões brasileiros fizessem um conluio e dissessem: não vamos operar ninguém enquanto não multiplicar por dez o nosso salário. Isso é um pacto a favor do  trabalhador ou contra a população brasileira? Então, os sindicatos têm que refletir muito sobre o que estão fazendo. Estão garantindo direitos da população brasileira ou estão garantindo uma cultura de privilégios?", disse Guedes.

O  ministro resumiu a MP em três pilares: a democracia e os mercados; a  redução de interferência do governo nas atividades econômicas e, por  fim, a garantia da segurança jurídica das empresas.

"No Brasil, hoje, a pessoa precisa passar na junta comercial, precisa pedir alvará, ir em seis, sete, oito lugares, para depois de oito, nove, dez meses, conseguir gerar emprego, abrir uma empresa. Deveria ser o contrário. Ninguém é proibido de trabalhar, de criar empregos, de gerar riqueza, você tem que abrir imediatamente, você avisa aos servidores públicos depois", disse.

A MP 881 tem até o dia 27 de agosto para ser aprovada pelo Congresso, ou perderá a validade.  Segundo o relator, dep. Jerônimo Goergen, ela será votada pela Câmara nesta terça-feira (13) e segue para o Senado.