Em coletiva de imprensa virtual, especialistas da OMS ressaltaram que não há dados que indiquem ser necessária uma dose de reforço.

Ann Lindstrand, responsável pela supervisão da vacinação contra o coronavírus, disse que é possível que a proteção das vacinas venha a diminuir com o passar do tempo, mas não há dados indicando que a revacinação é necessária no momento.

"Não há evidência que indique a necessidade de uma dose de reforço", disse Lindstrand.

Há quatro países que querem fazer esse reforço, o que consumirá mais de 800 milhões de doses de vacinas.

Soumya Swaminathan, Cientista-Chefe da OMS, alertou aos países para que não se baseiem em declarações de empresas farmacêuticas, que dizem que agora é necessária uma terceira dose de reforço.

"Pode ser necessário um reforço, dentro de um ou dois anos, mas a seis meses não temos indicações", afirmou a cientista.

Michael Ryan, Diretor-Executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, também disse que uma terceira dose de reforço da vacina não será agora e criticou aqueles que não querem só a fatia maior de um bolo, mas sim o bolo inteiro.

As vacinas, assinalou, devem ser dadas prioritariamente aos trabalhadores da saúde e às populações mais vulneráveis.

A diferença mundial em termos de vacinação, entre países planejando doses de reforço e outros onde ainda não chegaram vacinas, levou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a lamentar: "Se a solidariedade não está a funcionar só encontro uma palavra para isso, a ganância".

Em maio, a Dra. Katherine L. O'Brien, Diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS disse que as expectativas da população em torno de doses anuais de reforço contra o vírus da covid-19 estão sendo definidas por executivos da indústria farmacêutica.

"Não vemos ainda os dados que informariam uma decisão sobre a necessidade ou não de doses de reforço", disse Kate O'Brien.

Em um levantamento da Reuters, renomados especialistas em doenças infecciosas e desenvolvimento de vacinas disseram que há evidências crescentes de que uma primeira rodada de vacinações globais pode oferecer proteção duradoura.

Contudo, executivos de farmacêuticas estão fazendo afirmações cada vez mais ousadas, sem fornecer dados ou evidências, de que o mundo precisará de injeções de reforço anuais ou novas vacinas para combater as variantes do coronavírus.

O CEO da Pfizer, Albert Bourla, disse que as pessoas "provavelmente" precisarão de uma dose de reforço da vacina da empresa a cada 12 meses para manter altos níveis de imunidade contra o vírus SARS-CoV-2 original e suas variantes.

"Há zero, e quero dizer zero, evidências que sugerem que esse é o caso", rebateu o Dr. Tom Frieden, ex-Diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

"É totalmente inapropriado dizer que provavelmente precisaremos de um reforço anual, porque não temos ideia de qual é a probabilidade disso", disse Frieden, que agora lidera a iniciativa global de saúde pública Resolve to Save Lives, sobre as afirmações da Pfizer sobre os reforços.

O Dr. William Gruber, vice-presidente sênior de pesquisa e desenvolvimento clínico de vacinas da Pfizer, disse à Reuters no início de maio que as previsões para reforços anuais foram baseadas em "uma pequena evidência" de um declínio na imunidade ao longo de seis meses, evidência que desde então foi contestada com pesquisas mostrando que a imunidade ao vírus da covid-19 é durável.

Por enquanto, nenhum imunizante tem regime autorizado com três aplicações.

Atualização 13/07

Em evento virtual da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) nesta terça-feira (13), o Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, disse acreditar que algumas das vacinas contra o novo coronavírus demandarão uma terceira dose.

"Acredito que algumas vacinas terão a necessidade de uma terceira dose. No dia de hoje, ainda é difícil dizer qual", disse, observando ser uma avaliação pessoal.

Ao comentar sobre a combinação de vacinas diferentes, Barra Torres esclareceu que a Anvisa não conduz atividades científicas.

"A atividade reguladora não é a locomotiva desse processo. Ela é vagão. Vamos a reboque do desenvolvedor ou do pesquisador que nos apresentar suas conclusões, para que possamos avaliar e referendar. Estamos falando de uma interação de imunobiológicos de origens e plataformas diferentes. Vem muito da comunidade científica. No momento, estamos acompanhando algumas situações que podem no futuro ter um posicionamento nosso", disse Torres.

Atualização 17/07

Vacina da Pfizer produz 10 vezes mais anticorpos que a CoronaVac

De acordo com o estudo Comparative immunogenicity of mRNA and inactivated vaccines against COVID-19, divulgado na quinta-feira (15), os níveis de anticorpos entre os profissionais de saúde de Hong Kong que foram totalmente vacinados com o imunizante Camirnaty (Pfizer/BioNTech) são cerca de 10 vezes maiores do que aqueles observados nos recipientes da vacina CoronaVac (Sinovac).

“A diferença nas concentrações de anticorpos neutralizantes identificados em nosso estudo pode se traduzir em diferenças substanciais na efetividade da vacina”, escreveram os pesquisadores.

Atualização 29/07/2021

Israel será o primeiro país a oferecer uma dose de reforço da vacina da Pfizer-BioNTech para pessoas com mais de 60 anos.

“As descobertas mostram que há um declínio na imunidade do corpo ao longo do tempo. O objetivo da dose suplementar é aumentá-la novamente e, assim, reduzir significativamente as chances de infecção e doenças graves. […] Peço a todos os idosos que receberam a segunda dose, que busquem a suplementar”, disse o Primeiro-Ministro Naftali Bennett em entrevista coletiva. Segundo Bennett, o Presidente Isaac Herzog será o primeiro a receber o reforço, na sexta-feira (30).

Serão elegíveis à terceira dose pessoas com mais de 60 anos que receberam sua segunda dose da vacina Pfizer há pelo menos cinco meses.

Um estudo em pre-print divulgado nesta quinta-feira (29) sugere que seis meses após a segunda dose a efetividade da vacina Comirnaty cai para 84%.

Já um levantamento elaborado pelo Ministério da Saúde de Israel mostra que a efetividade da vacina contra novas infecções no país foi de apenas 40% no mês passado.

* Com informações do Jornal de Negócios, Reuters, Agência Brasil

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