O Armorial tinha como proposta criar uma arte erudita e universal, ligada às raízes da cultura popular brasileira, ao espírito mágico da literatura de Cordel, à música que acompanha seus cantares, à xilogravura que ilustra suas capas, e também à riqueza das festas populares como o Maracatu e o Reisado. Mais do que estabelecer diretrizes rígidas propunha uma convergência entre diferentes manifestações, como dança, literatura, pintura, música, teatro.

Com curadoria de Denise Mattar e a coordenação geral de Regina Rosa de
Godoy, a exposição ocupa todo o prédio do Centro Cultural do Banco do Brasil em São Paulo.

A imersão do visitante no universo da arte Armorial começa no 4º andar, com o núcleo Ariano Suassuna, Vida e Obra, que traz a cronologia completa do autor, seus poemas, livros, manuscritos e também vídeos das suas aulas-espetáculo.

O 3º andar é dedicado aos figurinos criados pelo artista plástico pernambucano Francisco Brennand (1927-2019) para o filme A Compadecida (1969), primeiro longa-metragem baseado na peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Além de 12 desenhos em nanquim aquarelado, são apresentados também figurinos dos cinco principais personagens da história. O Auto da Compadecida foi refilmado em 2000, sendo o longa mais assistido no streaming brasileiro. O público poderá assistir cenas do filme de 1969, estrelado por Antonio Fagundes, Armando Bógus e Regina Duarte, e fotos da filmagem realizada em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco.

No 2º andar são apresentados os dois momentos do Movimento Armorial: a chamada Fase Experimental (1970-1974) e a Segunda Fase (1975-2000).

No núcleo Armorial Fase Experimental, estão reunidos os artistas que participaram do início do movimento. As artes plásticas estão representadas por obras de Aluísio Braga, Fernando Lopes da Paz, Miguel dos Santos, Lourdes Magalhães, Fernando Barbosa e uma Sala Especial dedicada a Gilvan Samico (1928-2013), onde, além suas famosas xilogravuras, estão pinturas inéditas.

O núcleo assinala também o trabalho da Orquestra Armorial e do Quinteto Armorial, cuja proposta de produzir uma música de câmara erudita com influência popular, teve grande sucesso na época. O Quinteto gravou quatro LPs, produção que a exposição revisita com as capas dos discos.

A Segunda Fase do Movimento Armorial reúne as iluminogravuras de Ariano Suassuna, as litografias, cerâmicas e tapeçarias de sua esposa Zélia Suassuna, pinturas de Romero de Andrade Lima e de Manuel Dantas Suassuna. A dança é representada em fotos, figurinos e projeções, através do Grupo Grial, criado por Ariano e pela bailarina e coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo em 1997.

As iluminogravuras de Ariano Suassuna, integram sua faceta de escritor à de artista plástico. São dois álbuns produzidos na década de 1980: Sonetos com Mote Alheio (1980) e Sonetos de Albano Cervonegro (1985). Ambos mantêm as mesmas características básicas de representação e formam uma autobiografia poética.

No 1º andar está o módulo Armorial – Hoje e Sempre, reunindo produções de cinema e TV, baseadas em peças de Suassuna, como Farsa da Boa Preguiça, A Pedra do Reino, Auto da Compadecida, e o espetáculo Lunário Perpétuo. O conjunto mostra que, embora o Armorial não exista mais como movimento, seu conceito e estética deixaram frutos que podem ser vistos na arte contemporânea, no cinema e televisão, em autores como João Falcão, diretores como Guel Arraes e Luiz Fernando Carvalho, e multiartistas como Antonio Nóbrega.

No subsolo, o módulo Armorial – Referências exibe xilogravuras assinadas por J.Borges, Mestre Noza e Mestre Dila, entre outros, e também a Cidade de Cordel, criada especialmente para a exposição por Pablo Borges, filho de J.Borges.

Ariano Suassuna considerava o Cordel a principal referência do Movimento Armorial. A seleção apresenta talhas e xilogravuras dos mais importantes artistas do cordel que evidenciam o imaginário nordestino no qual se mesclam o cotidiano e o fantástico, animais comuns e monstros, cenas divertidas e trágicas, fé e delírio.

As festas populares são apresentadas na mostra através de figurinos, estandartes, vídeos e fotos do Reisado, Maracatu e Cavalo-Marinho.

A partir de agosto, haverá uma programação paralela à exposição, com espetáculos musicais e eventos para debater o legado do Movimento.

“A exposição fica fixa até setembro e, além dela, temos eventos complementares: cinco encontros para a música e também temos as conversas que vão versar sobre artes plásticas, música, teatro e dança e vai mostrar essa efervescência cultural”, disse Regina Godoy, em entrevista à Agência Brasil.

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
Exposição Movimento Armorial 50 anos
Classificação etária: Livre
Período: de 20 de julho a 26 de setembro de 2022
Horário: todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras
Endereço: Rua Álvares Penteado 112 – Centro Histórico de São Paulo
Subsolo, Térreo, 1°, 2°, 3° e 4° andares
Telefone: (11) 4297-0600
Entrada gratuita

Veja também: