O compromisso da Pfizer é entregar 20 milhões de doses no primeiro trimestre e 20 milhões no segundo.

O quantitativo é suficiente para que todos os pais vacinem seus filhos.

“Quero me dirigir aos pais e mães dos brasileiros para dizer que o Ministério da Saúde fornecerá doses para todos aqueles que quiserem vacinar seus filhos”, afirmou o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5) em Brasília.

“Não faltará vacina para nenhum pai que queira vacinar seus filhos”, enfatizou.

Entre as diretrizes estabelecidas para a imunização das crianças, o Ministério da Saúde decidiu não exigir receita médica para a vacinação. A orientação da Pasta é que os pais procurem a recomendação prévia de um médico antes da imunização.

O Secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, fez considerações sobre o contágio e infecções por SARS-CoV-2 em crianças de 5 a 11 anos e enfatizou que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19 na faixa etária representam 0,34% do total registrado no Brasil de março de 2020 a dezembro de 2021.

A Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite, detalhou que a vacinação infantil será escalonada por idade de forma decrescente, iniciando com a faixa etária de 10 e 11 anos, com prioridade para crianças que possuem comorbidades ou deficiências permanentes, quilombolas, indígenas e aquelas que convivam com adultos em grupo de risco.

"Os pais ou responsáveis têm que estar presentes manifestando sua concordância com a vacinação. Em caso de ausência, a vacinação deve ser autorizada por um termo de consentimento assinado por eles, isso está disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, ressaltou a Secretária.

Esta é uma salvaguarda essencial a ser observada face os acontecimentos registrados nos Estados Unidos, onde escolas vacinaram crianças sem conhecimento dos pais, seduzidas por brindes, guloseimas, dinheiro, ou por pressão de professores e colegas, e foram instruídas a não contar a ninguém que foram imunizadas.

A imunização será realizada com vacina gênica mRNA experimental da Pfizer reformulada para uso pediátrico – autorizada para uso temporário emergencial pela Anvisa para aplicação no público infantil.

A formulação da terapia pediátrica – doses com 7,5 vezes menos partículas de mRNA (0,02mg vs 0,15mg) e substituição do polietilenoglicol/polisuccinato de butileno por tromethamine, busca reduzir os riscos de efeitos adversos graves observados no produto regular da Pfizer/BioNTech.

Cronograma

As vacinas são parte do terceiro contrato de aquisição de 100 milhões de doses, negociado pelo Ministério da Saúde em junho de 2021 com a Pfizer e assinado em novembro com cláusula de compra opcional de 50 milhões de doses adicionais.

O contrato contempla o recebimento de lotes com a formulação mais atual da vacina e de composições eventualmente diferenciadas para todas as faixas etárias que podem ser incorporadas ao Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO).

A negociação estabeleceu ainda quantidades trimestrais de remessa para o Brasil: 20 milhões de doses até março de 2022, 25 milhões até junho, 35 milhões até setembro e 20 milhões no último trimestre.

Em janeiro, serão entregues três lotes da vacina, em voos semanais com 1,248 milhão de doses cada, totalizando 3,7 milhões de unidades no mês.

O primeiro lote deverá chegar ao Aeroporto de Viracopos em 13 de janeiro, o segundo dia 20 e o terceiro dia 27.

As doses serão distribuídas às unidades federativas de forma proporcional à população de crianças em cada Estado e no Distrito Federal.

O custo da vacina pediátrica para o Governo Federal alcança R$ 2,6 bilhões, representando um valor por dose muito superior ao pago pela vacina regular.

Vacinação em São Paulo

O secretário da Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou na terça-feira (4) que o Estado fará de tudo para vacinar as crianças de 5 a 11 anos dentro das escolas públicas estaduais e municipais.

Ao jornal Estadão, Soares afirmou que pretende incentivar também a vacinação das crianças dentro das instituições de ensino particulares. "A decisão final, porém, caberá às secretarias municipais de Saúde, responsáveis pelo esquema de vacinação".

Em resposta ao Estadão, o Secretário Municipal da Saúde, Edson Aparecido, declarou que esse tipo de vacinação na cidade, com deslocamento das equipes de saúde, não é "viável".

A rede pública municipal de ensino de São Paulo é formada por 2.881 CEIs (Centros de Educação Infantil), 589 EMEIs (Escolas Municipais de Educação Infantil) e 580 EMEF/Ms (Escolas Municipais de Ensino Fundamental e Médio).

O Secretário lembrou que já foram aplicadas 24 milhões de doses nos postos de saúde da Prefeitura e disse que "não tem por que mudar isso na última hora".

Aparecido acrescentou que as equipes de saúde "estão concentradas na vacinação e no atendimento de gripe e de covid" e ressaltou que "as escolas não estão funcionando ainda".

Em entrevista à Rádio Eldorado, Rossieli disse que a escola tem um papel fundamental de conscientização e “vacinar dentro da escola é um grande exemplo”.

“Nós reorganizamos o nosso início do calendário letivo para que os primeiros dias sejam de trabalho da escola, trabalhando com os próprios alunos a importância da vacinação e com as famílias”, disse.

O Secretário pediu aos pais que não acreditem em notícias falsas e também criticou a demora do Ministério da Saúde em adquirir as doses pediátricas. Contudo, ele não comentou as gestões do Governo Doria para acelerar junto à Anvisa a autorização de uso emergencial da vacina chinesa CoronaVac em crianças.

Segundo Rossieli, as escolas estaduais de São Paulo passarão a pedir a carteira de vacinação contra coronavírus após o início da campanha para crianças de 5 a 11 anos.

“A carteira de vacinação já é exigida na matrícula. Vamos solicitar, sim, no momento devido. Mas não vamos proibir o aluno de ir à escola”, afirmou.

Para o presidente da Associação Brasileiras das Escolas Particulares (Abepar), Arthur Fonseca Filho, o incentivo do governo estadual para a realização da imunização das crianças dentro da rede particular é muito bem-vindo.

Na vacinação de adolescentes contra o SARS-CoV-2, foram utilizados imunizantes da Sinovac/Butantan (15.633 doses), Astrazeneca/Fiocruz (10.388) e Janssen/J&J (806), nenhum deles com autorização da Anvisa para administração nessa faixa etária.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Estado de São Paulo aplicou cerca de 7 mil doses de vacinas não autorizadas para uso em adolescentes.

Alguns municípios paulistas aplicaram os imunizantes em escolas.

Atualização 14/01/2022

O Secretário Executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, informou nesta sexta-feira (14), via rede social, que a segunda remessa de doses da vacina pediátrica da Pfizer foi antecipada para o dia 16/01. "Serão mais 1,2 milhão de doses. E fechando o mês de janeiro, no dia 27/01 serão mais 1,8 milhão de doses".

As crianças devem ir aos postos de vacinação acompanhadas dos pais ou responsáveis ou levando uma autorização por escrito.

* Com informações do Ministério da Saúde, Estadão

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