O Ministério da Saúde informou que a aquisição dos imunizantes só ocorrerá após autorização temporária para uso emergencial ou concessão de registro pela Anvisa.

A Covaxin foi autorizada na Índia para uso emergencial sem apresentar dados de fase 3, provocando protestos naquele país. O imunizante é baseado na tecnologia de vírus inteiros inativados, utilizada também pelas vacinas concorrentes CoronaVac (China), CoviVac (Rússia) e VLA2001/Valneva (França), entre outras.

Até fevereiro deste ano, a Anvisa autorizou para uso emergencial apenas as vacinas CoronaVac, da empresa chinesa Sinovac, e Covishield, desenvolvida pela farmacêutica indiana Serum Institute baseada em tecnologias licenciadas da AstraZeneca e da Universidade de Oxford.

O Ministério da Saúde afirma que apenas 2,7 milhões das 9,3 milhões de doses da Coronavac, previstas para fevereiro, serão entregues – o que atrasará o cronograma na maioria dos estados pelo Plano Nacional de Imunização (PNI).

A compra de doses vacina Sputnik V envolve repasses de até R$ 694 milhões para o Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF), representado no Brasil pela União Química. A dose é vendida no mercado internacional por US$ 10.

A aquisição da vacina Covaxin prevê repasses de até R$ 1,6 bilhão para a Bharat Biotech, da Índia, representada pela Precisa Comercialização de Medicamentos.

Cada dose da vacina chinesa CoronaVac custa R$ 58,20 ao contribuinte brasileiro.

Segundo apurou o Estadão, "há forte lobby no Congresso e Governo" para autorizar o uso das duas vacinas.

"Na linha de frente da negociação com o governo, a União Química tem o ex-deputado Rogério Rosso (PSD-DF) e o ex-diretor da Anvisa Fernando Mendes. O dono da empresa, Fernando Marques, também tem bom trânsito no poder. Ele foi candidato no Distrito Federal ao Senado em 2018 pelo Solidariedade, partido de Paulinho da Força, e também costuma financiar campanhas eleitorais".

"O líder do governo, Ricardo Barros, apresentou emenda à MP 1026 para que imunizantes aprovados na Índia recebam uma análise acelerada na Anvisa de uso emergencial. A sugestão foi acolhida no parecer da MP, que também inseriu a agência da Rússia. O Congresso aprovou uma medida similar na MP 1003/2020, que foi enviada à sanção, para beneficiar vacinas aprovadas na Rússia e Argentina, entre outros países".

O Estadão lembrou ainda que a Precisa tem como sócia a Global, uma firma que deve cerca de R$ 20 milhões ao Ministério da Saúde por medicamentos não entregues de uma compra feita pela pasta em 2017.

* Com informações do Diário Oficial da União (DOU), Estadão

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