Portugal é o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção à população residente: 22% dos nascidos em Portugal emigraram. Foto: Nicky Boogaard
Portugal é o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção à população residente: 22% dos nascidos em Portugal emigraram. Foto: Nicky Boogaard

De acordo com o Relatório da Emigração de 2018, apresentado dia 17, cerca de 80 mil portugueses emigraram em 2018, menos cinco mil do que em 2017.

O estudo, elaborado pelo Observatório da Emigração, atribui a redução sobretudo à quebra na atração no Reino Unido, pelo “efeito Brexit”, em Angola, “devido à crise econômica desencadeada pela queda do preço do petróleo”, bem como na Suíça, mas também à “retomada da economia portuguesa” nomeadamente “no  plano da criação de emprego”.

Na opinião do Observatório da Emigração, “as variações do volume da emigração portuguesa dependem hoje mais de mudanças de contexto nos principais países de destino do que da evolução da economia portuguesa”.

O número de emigrantes vem decrescendo desde 2013, quando atingiu o pico de 120 mil, passando para 115 mil em 2014 e 2015, 100 mil em 2016 e 85 mil em 2017.

A França é o país do mundo com maior número de portugueses emigrados, 600 mil, “devido à grande vaga de emigração dos anos 1960/70", seguindo-se a Suíça (218 mil), EUA (178 mil), Canadá (143 mil, em 2016), Reino Unido (141 mil), Brasil (138 mil, em 2010) e Alemanha (115 mil).

Apesar da contínua redução da emigração para o Reino Unido após o referendo do Brexit, ainda é o país de maior destinação dos emigrantes portugueses, 19 mil em 2018 e 23 mil em 2017. Em 2015, os britânicos receberam 32 mil portugueses.

As estatísticas do Governo britânico colocam Portugal como o país da União Europeia e o terceiro do Mundo com a mais elevada taxa de crescimento de registros no Reino Unido.

Segundo o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, cerca de 220 mil dos 300 mil cidadãos portugueses residentes no Reino Unido já solicitaram o registro.

“O registro é muito importante porque é ele que permite que aqueles que estão há mais de cinco anos a residir no Reino Unido tenham o título de residência definitiva e que aqueles que estão há menos de cinco anos vejam contado o tempo de residência para quando atingirem os cinco anos terem a residência definitiva”, explicou Santos Silva no lançamento do Relatório da Emigração.

O Ministro também assegurou que “à luz de todos os  acordos que até agora tentámos [União Europeia] assinar com o Reino  Unido, os direitos dos cidadãos estão plenamente garantidos”.

“Hoje o parlamento britânico tem uma maioria comprometida com a aprovação do acordo que a União Europeia celebrou com o Governo de Boris Johnson. À luz desse acordo, as pessoas que até ao dia 31 de janeiro próximo entrarem no Reino Unido, ou já estiverem no Reino Unido, veem plenamente reconhecidos os seus direitos de residência”, afirmou.

Referindo que o prazo para o registro se estende até ao fim de 2020, o Ministro deixou um alerta: “Como  bem diz o ditado português ‘não deixes para amanhã o que podes fazer hoje’”.

“Portanto quanto mais depressa se chegar aos 300 mil que nós estimamos serem os portugueses residentes no Reino Unido, melhor”, sustentou.

Concentração europeia

O segundo país de destino dos portugueses em 2018 foi a Espanha, com 11 mil, seguida da Suíça (9 mil, queda de 6%), França (8 mil) e Alemanha (7 mil).

Segundo relatório da ONU de 2017, reforçou-se a tendência de concentração da emigração na Europa, ao mesmo tempo que se verificou uma “acentuada perda de importância relativa dos países americanos como destino alternativo”.

A porcentagem de emigrantes portugueses que vivem na Europa passou de 53% em 1990 para 66% em 2017.

Fora da  Europa, os principais países de destino da emigração portuguesa em 2018 integram o espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola (2 mil em 2018, 3 mil em 2017), Moçambique (1 mil, em 2016) e Brasil (1 mil, em 2017).

Seguindo tendência que vem se firmando, os portugueses continuam a representar uma parte importante das novas entradas em Luxemburgo (14%) e Macau (11%).

Em termos de aquisição de nacionalidade por parte dos portugueses, os países com números mais elevados são a Suíça (3.285) e a França (2.500, em 2016), com o Reino Unido (cerca de 2.000) a ultrapassar os Estados Unidos  (1.807, em 2017) no terceiro lugar, crescimento de 55% em relação a 2017 explicado pelo Brexit.

Fuga de cérebros

Portugal continua a ser, em termos acumulados, o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente, com 22% dos nascidos em Portugal tendo emigrado.

A porcentagem de portugueses emigrados com formação superior que residem nos países da OCDE praticamente duplicou, passando de 6% para 11%, entre  2001 e 2011, “um crescimento significativo da proporção dos mais qualificados”, destaca um estudo da ONU de 2017.

O Relatório da Emigração de 2018 mostra que os emigrantes portugueses e seus descendentes também estão ocupando espaços políticos no exterior.

“O conjunto de 793 portugueses e lusodescendentes que ocupavam em 2018 cargos eleitos ou cargos públicos ou altos cargos públicos de nomeação representam uma força de influência de Portugal, da cultura portuguesa e dos interesses portugueses que nunca é demais valorizar”, festejou o Ministro Santos Silva.

* Com dados e informações do Observatório da Emigração e da ONU

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