Mundialmente, a transmissão de programas radiofônicos em frequência modulada (FM) é realizada na faixa 87,7 MHz a 107,9 MHz. Os circuitos de recepção de aparelhos de rádio, celulares, TVs, computadores, são projetados para sintonizar estações de emissoras FM que operam nessa faixa definida de frequências.

Não mais no País das Jaboticabas.

Os novos aparelhos de rádio em produção na indústria brasileira deverão sintonizar uma faixa estendida de frequências (eFM). O singelo propósito é acomodar a migração das emissoras AM (Amplitude Modulada) para FM, lei assinada em 2013 pela Presidente Dilma Rousset para beneficiar outorgantes de rádio em ondas médias (OM).

Atualmente, das 1.781 outorgas de rádio AM, cerca de 1.720 emissoras pediram a mudança para FM.

Muitos dos pedidos, no entanto, não puderam ser atendidos – conforme  dados consolidados até o primeiro trimestre de 2019, restaram  sobrestados 413 processos de análise de viabilidade de migração, em razão da impossibilidade da inclusão desses canais na faixa de FM.

Essas emissoras poderão ocupar a 'faixa estendida', entre 76.1 MHz e 87.5 MHz

O Comitê de Uso do Espectro e de Órbita da Anatel (CEO) solicitou às áreas técnicas que considerem diversos cenários de  convivência entre as emissoras, utilizando tanto a faixa convencional  quanto sua combinação com a estendida. Resultados preliminares indicam que com a regulamentação vigente seria viável a operação de até 33 emissoras por localidade, em condições ideais e com espectro desocupado. Na hipótese de remoção da proteção ao segundo adjacente e permissão  de sobreposição, passa a ser possível a  coexistência de até 50 emissoras operando em condições livres de interferências prejudiciais. Caso seja também considerada a extensão da  faixa de FM, nesses mesmos contornos experimentais, seria possível até  79 emissoras de FM por localidade.

De acordo com o presidente da Anatel, Leonardo de Morais, a reavaliação desses critérios técnicos pode representar  uma importante alternativa para viabilizar a evolução técnica das emissoras AM: a migração possibilita a recepção da programação em aparelhos celulares, com incremento imediato de audiência e faturamento.

Rádio digital

Com rádio digital sendo uma realidade em alguns países, discutir a migração de AM para FM pode parecer ultrapassado. A Noruega, por exemplo, faz transmissões somente em formato digital. Existem pelo menos quatro formatos de rádio digital: um americano, dois europeus e um japonês.

O diretor técnico da Rádio Universitária da UFG, Arutanã Ybiopuá Ferreira, explica que, apesar do bom alcance e qualidade, a rádio digital no Brasil enfrenta problemas de interferência, além de custar caro. “No Brasil essa discussão deu uma esfriada porque ela ainda é, de certa forma, experimental”, afirma.

Realidade

Das 1.211 emissoras incluídas no Plano Básico de Frequência Modulada (PBFM), obtendo espaço verificado para funcionar na faixa FM, 730 pagaram as taxas para adaptação de outorga e estão autorizadas a operar. Contudo, não há informação de quantas emissoras autorizadas podem de fato ser ouvidas na faixa FM.

Além da inclusão no PBFM e do recolhimento de taxas variaveis, conforme potência e localização, as emissoras AM precisam investir em novos transmissores, nova antena e, eventualmente, um novo local para colocar a torre da estação.

“Não é simples”, sintetizou André Cintra, diretor de Rádio da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert),  ponderando que, além das questões técnicas, as emissoras precisam viabilizar financiamento para a migração.

Torres

Em São Paulo, são mais de 30 antenas e torres, a maioria situada próximo da Avenida Paulista, posição geográfica mais elevada do municipio depois do Pico do Jaraguá.

A maior e mais alta das torres é a da Bandeirantes, com 212 metros de comprimento, que somada a altitude da Avenida Paulista de 870 m, perfaz o 2º ponto mais alto da capital, com 1.082 m em relação ao nível do mar.

O 3º ponto mais alto da cidade fica em Cerqueira Cezar, próximo à Avenida Paulista. É composto pela nova torre da Globo, de 115 metros, cuja base está fixada no topo de um edificio de 70 metros de altura, 1.053 m em relação ao nível do mar.

* Com informações da Anatel, Abert, UFG e Netleland