Fronteira entre San Diego e Tijuana. Foto: Departamento de Defesa (DoD) dos EUA
Fronteira entre San Diego (US) e Tijuana (MX). Foto: Departamento de Defesa (DoD) dos EUA

No ano passado, o governo Trump impôs uma série de novos obstáculos aos migrantes e requerentes de asilo. As regras permitem que os migrantes sejam enviados de volta à seus países e têm mantido milhares de pessoas aguardando em campos improvisados na fronteira EUA-México.

Sob sua política “Permaneça no México” (Remain in Mexico), o governo americano enviou mais de 60 mil migrantes de volta ao México para aguardar decisões sobre seus pedidos de asilo.

O ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, garantiu que o país não negou abrigo a praticamente ninguém, e que estão sendo avaliadas concessões de asilo a cerca de 60 mil pessoas.

"O que está sendo feito é cumprir a lei mexicana".

"É a redução mais importante dos fluxos nas últimas décadas", disse o Ministro, realçando que, apesar de ser uma "operação enorme da  responsabilidade da nova Guarda Nacional do México, não foi registada  qualquer denúncia por violação de direitos humanos".

No início de junho, Trump tinha ameaçado implementar uma tarifa inicial de 5% em todas as importações mexicanas até o país reprimir as caravanas de migrantes.

As tarifas poderiam chegar a 25% até 1º de outubro.

Como resultado, o México posicionou 15 mil integrantes da recém-criada Guarda Nacional – composta pela polícia federal e membros do exército e da marinha do México – ao longo de toda a fronteira EUA-México, de Tijuana ao estado de Tamaulipas, que fica ao lado do Golfo do México e McAllen, Texas.

"As medidas foram tomadas e há bons resultados, porque o fluxo migratório do sul para o norte foi interrompido. Isso foi conseguido com a oferta de trabalho aos migrantes, protegendo crianças e mulheres, sem violar os direitos humanos", asseverou o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador.

O governo Trump também intermediou acordos com os países do Triângulo Norte (Guatemala, El Salvador e Honduras), permitindo que os EUA deportem migrantes para os países de onde vieram.

O Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security) emitiu uma regra separada, impedindo que os migrantes recebessem asilo se passassem por outro país que não o seu antes de chegarem aos EUA, o que significa que os requerentes de asilo de qualquer país, exceto o México, não são elegíveis para asilo.

Tráfego de Ciudad Juárez, no México, retido para as inspeções alfandegárias e de imigração dos EUA na Ponte das Américas em El Paso, Texas. Foto: James Tourtellotte/U.S. Customs and Border Protection
Tráfego de Ciudad Juárez, no México, retido para as inspeções alfandegárias e de imigração dos EUA na Ponte das Américas em El Paso, Texas. Foto: James Tourtellotte/U.S. Customs and Border Protection

Brasileiros chegam em ondas na fronteira Ciudad Juarez-El Paso

A cada semana, centenas de brasileiros estão entrando ilegalmente na cidade americana de El Paso através de Ciudad Juarez e solicitando asilo, como fazem centenas de milhares de migrantes de Honduras, El Salvador e Guatemala.

Os brasileiros agora compõem um quarto dos imigrantes presos em El Paso, os migrantes mais comumente presos depois dos próprios mexicanos.

Cerca de 18 mil brasileiros foram presos nos Estados Unidos no ano fiscal que terminou em outubro –  95% deles porque entraram ilegalmente no país em El Paso.

As famílias brasileiras não são mantidas indefinidamente detidas, mas liberadas para a Annunciation House, uma rede de abrigos onde podem ficar por alguns dias enquanto organizam a viagem para outras cidades nos EUA.

No caso de migrantes brasileiros adultos solteiros, muitos estão em detenção de imigração enquanto os pedidos de asilo são processados. Outros tentaram evitar a detenção fingindo ser pai ou mãe ou filho, geralmente usando identidades obtidas de forma fraudulenta no Brasil, a chamada "fraude familiar", e estão sendo processados.

Muitos emigrantes do Brasil estão pedindo asilo citando o alto desemprego do país ou corrupção e violência persistentes, diz Luciano Park, advogado de imigração que emigrou do Brasil para cursar Direito em Boston.

Segundo Park, simplesmente tentar "escapar da violência crônica" relacionada a gangues do Brasil geralmente não é suficiente para reivindicar asilo. As mulheres que citam razões de "violência doméstica" também têm poucas chances com as condições mais restritas para obter asilo decretadas pelo governo Trump.

As autoridades americanas não estão satisfeitas com a escalada de pedidos de asilo de migrantes de fora da América Central e da América do Sul de língua espanhola.

"Estamos vendo, novamente, indivíduos de países extraterritoriais, extra-continentais, vindos do Brasil, Haiti, africanos", disse Mark Morgan, do U.S. Customs and Border Protection, à AP.

* Com informações do Expresso, AP e Vox

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