Quatro anos após a morte de Edgar Degas (1834-1917), foram fundidas 22 coleções, a partir de moldes de cera encontrados no seu ateliê, que foram desmembradas mais tarde entre acervos particulares e públicos.

A coleção completa de 73 esculturas foi adquirida em Londres, em 1952, pelo fundador do Masp, Assis Chateaubriand, por 20 mil libras esterlinas.

Expostas em caixas de vidro, as pequenas bailarinas, banhistas e cavalos de Degas localizam o artista francês em seu tempo, marcado pelo advento da fotografia e do cinema.

O fascínio pelo movimento justificaria seu interesse pelo mundo do balé. Mais da metade de sua produção, que ultrapassa 2 mil obras, retrata “ballerinas”, sinônimo de vadia para a categoria social de Degas, um aristocrata filho de banqueiro e colecionador de arte.

Degas parecia interessado não no lado glamouroso do balé, mas nos gestos, nos movimentos e na vida interior dessas meninas.

As bailarinas geralmente vinham de famílias sem recursos que buscavam mobilidade social ou estabilidade financeira por meio da dança.

A exibição do Masp destaca a única escultura mostrada por Degas em vida, a Pequena Bailarina de Quatorze Anos  (1880), a maior peça (99 cm) da coleção.

Pequena Bailarina de Quatorze Anos, de Edgar Degas. Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil
Pequena Bailarina de Quatorze Anos, de Edgar Degas. Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil

A menina eternizada na pequena escultura é Marie van Goethem, uma das crianças apelidadas de “petits rats” (pequenos ratos), um título pejorativo entre a Opéra de Paris para bailarinas que eram de uma classe social inferior e precisavam buscar protetores ricos entre os visitantes na porta dos fundos da Opéra.

Marie também posou nua para Degas, o que levou a especulações sobre as relações do artista com bailarinas que se prostituíam para complementar a renda familiar.

Ao ser exibida pela primeira vez, em 1881, a obra provocou polêmica pelo realismo da escultura modelada em cera, vestida com tutu em tule e com cabelos verdadeiros, como era hábito na escultura hispânica do século 16 ou nos presépios napolitanos – a versão em bronze da mostra conserva apenas o tutu e uma fita. Huysmans (1848-1907), crítico de arte e escritor, ao ver a obra, decretou que Degas, ao romper com a tradição, era o principal escultor moderno europeu.

Para o historiador da arte Richard Kendall, “Degas era um impressionista, um dos expositores mais fiéis e leais nas exibições impressionistas, mas ele era muito senhor de si".

“As pessoas tendem a ver Degas como um artista do século 19 e acho que alguns de seus trabalhos mais importantes e radicais foram feitos no final do século e no início do século 20. Ele já tinha ido a lugares que pensávamos que estávamos entrando", acrescentou Kendall em entrevista ao New York Times.

Degas
Local: Museu de Arte de São Paulo (Masp)
Data: 4 de dezembro de 2020 a 1º de agosto de 2021
Horários: terça, das 10h às 20h (entrada até 19h30), quarta a sexta, das 13h às 19h (entrada até 18h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até 17h30); fechado às segundas
Endereço: Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Agendamento: masp.org.br/ingressos
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras. Até 30/12 todas as quartas-feiras também terão entrada gratuita

* Com informações do MASP, Estadão, Folha de S.Paulo, The New York Times

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