Mateus reflete como poderá aplicar o aprendizado no Brasil, avalia que na  Justiça e no Direito sempre vai faltar algo, mas demonstra otimismo: “o  importante é que cada jurista, cada cidadão brasileiro entenda que o cenário atual da Justiça não representa o que ela pode ser no futuro”.

Em entrevista à jornalista Roseann Kennedy, no programa Impressões, da TV Brasil, que vai ao ar nesta terça-feira (13) às 23h, o advogado amplia essa reflexão.

Ele diz que há muito a melhorar e que o mais importante é não perder a esperança e contribuir para mudanças positivas.

“O pior estado de espírito é do cinismo de que nada pode mudar. Eu acho  que o estado de todo jurista deve ser uma vontade de resolver o problema  que afeta a Justiça do seu país e procurar ocupar esses espaços de  influência para melhorar”, afirmou.

Perguntado se a Corte deve seguir os apelos populares, ele disse que  não. “Não acho que ouvir o clamor social seja um dever do Judiciário. O  Poder Judiciário tem o dever de respeitar a lei e a Constituição. Então,  algumas vezes, a solução que a Constituição vai trazer não é a mais bem  vista pela população”, afirmou.

O discurso, sem titubear, mostra a experiência adquirida apesar da pouca  idade. Afinal, não é a primeira vez que Mateus Costa Ribeiro alcança um  recorde. Ele foi o mais jovem advogado do Brasil a defender uma causa  no Supremo Tribunal Federal, com apenas 18 anos.

A primeira defesa oral no Supremo Tribunal Federal (STF), bastante  elogiada pelos ministros da Corte, foi motivo de orgulho para toda a  família de Mateus.

Ele conta, porém, que, na hora em que estava diante dos ministros, “não  dava tempo de sentir nada”. E faz uma comparação como se fosse um atleta  pronto para correr 100 metros: “todo mundo na torcida, tem milhões de  pessoas assistindo o que que ele faz para focar. Ele não pode pensar em  nada a não ser escutar o tiro da largada. Da mesma forma, eu só pensava  nas primeiras três frases da minha sustentação oral. Você tem que focar  apenas em gesticular do jeito certo, falar pausadamente, se expressar de  uma maneira clara e impactante”, argumentou.

A vida acadêmica de Mateus começou cedo. Aos 13 anos, quando a irmã ia  fazer vestibular para o mesmo curso, na Universidade Católica de  Brasília, o pai dele decidiu inscrevê-lo. Mateus foi aprovado em sétimo  lugar. Seis meses depois, passou na Universidade de Brasília (UnB) e,  por meio de uma liminar, conseguiu fazer a matrícula, apesar de estar  apenas no nono ano do ensino fundamental.

Ele diz que, apesar da trajetória precoce, aproveitou muito a infância.  “Eu era um dos filhos que mais brincavam no jardim. E jogava muito  futebol. Tem uma história engraçada. As lâmpadas eu quebrei todas,  jogando bola. Não há uma lâmpada que tenha sobrevivido aos chutes”,  lembrou, sorrindo.

E foi na infância que começou o interesse pela profissão. “Você vê o seu  pai sendo advogado e aquilo parece legal. E ele, estrategicamente, só  mostra a parte legal da profissão. Meu pai me levava para assistir a uma  sustentação oral dele, ou então explicava o que era uma Constituição.  Me levava para assistir a uma aula dele da faculdade. Então, tudo isso  foi me convencendo que meu lugar era no Direito.”

Além disso, Mateus conta que o pai simulava um tribunal quando os filhos  brigavam.

“Era tudo muito organizado. Quem estava acusando se  pronunciava primeiro, quem estava sendo acusado se manifestava em  seguida. Isso faz com que as decisões sejam mais bem recebidas pelo  filho. Eu acho. Porque ele entende melhor a justificativa do pai quando  ele sofre uma punição, por exemplo, ainda mais se forem [punições] previsíveis”.

Após o mestrado em Harvard, seu projeto de vida é voltar ao Brasil para  atuar como advogado, professor e no setor de livros. Quer focar em  Direito Constitucional Comparado, fazendo a relação entre o direito  americano, o internacional e o brasileiro.