Macron estaria preocupado com o impacto da medida em um país que luta com uma recessão profunda e com as consequências de um novo lockdown – pesquisa publicada neste domingo (31) mostra que 64% dos franceses não tem confiança na condução do governo.

Ao contrário de outros países, o número de novas infecções quase não aumentou na semana passada, enquanto outros indicadores – como traços do vírus detectados em águas residuais – também foram tranquilizadores.

As mortes de cerca de 250 pacientes de covid-19 por dia na França são menos de um quarto do número na Grã-Bretanha ou na Alemanha.

Imagens de distúrbios anti-lockdown na Holanda também pesaram na avaliação.

O líder francês optou por aumentar as restrições existentes sobre viagens e compras em uma reunião de gabinete na sexta-feira (29), depois de uma semana em que seu governo parecia estar preparando o público para novas ordens de permanecer em casa.

Macron está assumindo a responsabilidade pessoal por uma decisão não alinhada às recomendações do Ministro da Saúde, Olivier Veran, e de membros do conselho científico que assessora o governo francês.

"Tudo sugere que uma nova onda poderá ocorrer por causa da variante, mas talvez possamos evitá-la graças às medidas que decidimos anteriormente e que os franceses estão respeitando", disse Veran ao jornal Journal du Dimanche neste domingo (31).

"Estamos fazendo de tudo para evitar outro lockdown, conhecendo os efeitos econômicos, sociais e psicológicos", disse um assessor presidencial à AFP.

"A situação é séria, mas achamos que temos os meios para vencer o que vai acontecer. Vale a pena tentar", disse um conselheiro presidencial não identificado ao jornal Le Monde.

Outro deixou claro para o mesmo jornal que outro lockdown não foi
descartado, significando que uma mudança na abordagem é possível.

“Se, nos próximos dias, testemunharmos um aumento incrível da epidemia, então agiremos”, disse o assessor.

Em jogo está a credibilidade do governo e a clareza de suas mensagens, a apenas 15 meses de uma eleição presidencial na qual Macron deverá enfrentar a ressurgente líder de direita, Marine Le Pen.

Ao se candidatar para um segundo mandato, o histórico do líder francês na gestão da crise do coronavírus – incluindo os lockdowns, pacotes de apoio econômico e
a campanha de vacinação – ficará sob escrutínio.

* Com informações do The Local, Journal du Dimanche, Le Monde, Agence France-Presse (AFP)

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