Colocada  desde o início de 2017 sob a supervisão do Estado italiano, a fim de evitar a falência, a Alitalia continua enfrentando uma crise profunda.

Analistas calculam que a companhia aérea já consumiu 9 bilhões de euros em verbas públicas.

Nos últimos meses, foram feitos contatos com 30 potenciais compradores, mas, até o momento, nenhum deles apresentou uma proposta considerada aceitável.

Muitos esperavam que a Lufthansa fosse a salvadora da companhia aérea, pois circulavam rumores de que o grupo alemão estava em negociações com o governo da Itália. No entanto, Joerg Eberhart, CEO da Air Dolomiti (subsidiária Lufthansa) explicou que isso não acontecerá. Para Eberhart, uma “profunda reestruturação da empresa é inevitável”, antes da Lufthansa considerar uma entrada de capital.

A holding estatal Ferrovie dello Stato, a pedido do governo de Giuseppe Conte, fez uma proposta envolvendo um consórcio que seria criado com a Delta e a Easyjet, mas os entendimentos com as aéreas não avançaram. O diretor da ferrovia, Gianfranco Battisti, disse que a empresa está fora da operação.

"Estamos em uma estrada estreita e difícil", disse o ministro do Desenvolvimento Econômico, Stefano Patuanelli, ao parlamento, dizendo que as opções para salvar a companhia aérea "não são infinitas".

"A Alitalia está em uma situação alarmante há muitos anos", disse à AFP Umberto Bertele, professor de estratégia da Escola Politécnica de Negócios de Milão.

Ele disse que uma de suas principais questões era o "desequilíbrio entre o número de funcionários e o número de vôos".

A empresa enfrentou uma concorrência extremamente acirrada por parte de empresas de baixo custo, mas também é pequena demais para poder competir com outras empresas tradicionais.

A Alitalia transportou apenas 22 milhões de passageiros em 2018, comparado aos 91 milhões da Easyjet, 142 milhões da Ryanair e 180 milhões da Lufthansa e Delta.

Na Itália, sua participação de mercado é de 14%,  abaixo dos 25% da Ryanair.

Caso a Alitalia não consega atrair um investidor há rumores que será nacionalizada, a única medida viável para os sindicatos italianos, que se opõem a qualquer solução que resulte em um número significativo de demissões de seu quadro de mais de 11 mil funcionários.

* Com informações do Le Mond e EFP

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