“Precisamos ficar em nossas casas, precisamos manter uma distância saudável”.

Uma mudança radical de discurso de um presidente que até sexta-feira (27) assegurava que a população mexicana tinha proteção divina contra a pandemia.

“Aproveitem, levem suas famílias aos restaurantes”, movimentando a economia do país e “não se deixando levar pelos alardes extremistas”, disse em vídeo dias atrás. “Sigam com sua vida normal e fiquem tranquilos que o presidente dirá quando não for seguro”.

Obrador também se vangloriava de ter um trevo para “dar sorte” e se recusava a adotar medidas de contenção.

“Eu respeito a decisão de outros países, mas não precisamos disso".

Questionado sobre suas ações ou sobre as preocupações de médicos ou profissionais de saúde, López Obrador respondeu que os jornalistas estavam "aproveitando o coronavírus” para “distorcer, alarmar e questionar o governo” "em apoio à oposição”.

Políticos aliados diziam que o presidente estava com um parafuso solto.

Menos de uma semana depois, López Obrador parece não estar seguro que o trevo da sorte possa garantir que o sistema de saúde do país não entrará em colapso.

“Se não ficarmos dentro de casa, o número de infecções pode disparar, e isso saturaria nossos hospitais”, disse. “Seria avassalador”.

O presidente mexicano também reconsiderou o impacto econômico de um grande número de infectados e argumentou que o dano seria maior no longo prazo se as empresas não enviassem seus funcionários para casa, entendimento oposto ao que vinha defendendo, que o fechamento dos negócios causaria mais danos do que o vírus.

Na sexta-feira (27), as autoridades mexicanas relataram um total de 717 casos de Covid-19 no país, com 12 mortes. Cinco dias antes, eram 300 casos e 3 mortes.

* Com informações do MotherJones, G1

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