Segundo o Departamento Federal de Estatística (Destatis), após realizados ajustes sazonais, de preços e de calendário, o Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre de 2020 recuou -10,1% em relação ao 1º trimestre, um declínio muito maior do que durante a crise do mercado financeiro (-4,7% no primeiro trimestre de 2009).

Na comparação anual, o PIB nominal alemão foi de 768 bilhões de euros no segundo trimestre, ante 847 bilhões no mesmo trimestre do ano passado, registrando queda de -11,7% após os ajustes. Novamente, mesmo durante a crise econômica de 2008/2009, a maior queda em relação ao mesmo trimestre do ano anterior foi registrada no segundo trimestre de 2009 (-7,9%).

Fonte/arte: © 2020 Statistisches Bundesamt (Destatis)
Fonte/arte: © 2020 Statistisches Bundesamt (Destatis)

O PIB per capita nominal caiu para 9.238 euros no segundo trimestre, ante 10.197 no trimestre correspondente em 2019.

O Destatis também informou que, no segundo trimestre de 2020, foi registrada uma queda maciça nas exportações e importações de bens e serviços, bem como nos gastos com consumo final das famílias e formação de capital em máquinas e equipamentos. O governo geral, no entanto, aumentou suas despesas de consumo.

A queda na produção retornou o PIB para onde estava há dez anos. Mesmo assim, segundo Florian Hense, economista do banco alemão Berenberg, "poderia ter sido muito pior". O lockdown da Alemanha foi mais suave e mais curto do que em outros países europeus. Além disso, o governo respondeu com um dos estímulos fiscais mais abrangentes do mundo que amorteceu o golpe na economia e acelerou sua recuperação, escreve Hense.

Espanha, França, Itália, Portugal, Bélgica e Áustria registraram contrações ainda mais acentuadas.

Fonte/arte:  © Eurostat
Fonte/arte: © Eurostat

O Ministro da Economia Peter Altmaier, acredita que a economia alemã começará a crescer novamente em outubro "o mais tardar". Ele espera queda do PIB de 6,3% este ano, mas crescimento de 5,2% em 2021. Ainda assim, o PIB não recuperará seu nível pré-crise até 2022, no mínimo.

Os líderes empresariais estão depositando suas esperanças em uma recuperação econômica no terceiro trimestre, assumindo que um ressurgimento de infecções por coronavírus não levará a outro lockdown.

As vendas no varejo estão se recuperando, saltando 12,7% em maio, após o fechamento da maioria das lojas em março e abril. A produção industrial cresceu cerca de 10,4% no mesmo mês, segundo Destatis.

Uma pesquisa de julho do HSBC, com 2.600 empresas com vendas de mais de US$ 5 bilhões em 14 países, sugeriu que as 200 empresas alemãs incluídas deverão enfrentar a crise melhor do que as de outros países: 53% delas disseram que foram fortemente afetadas pela pandemia, em comparação com 72% nos outros 13 países (incluindo América, Grã-Bretanha, Canadá, China, França e México).

A maioria das empresas alemãs é extremamente dependente das exportações. O destino delas dependerá da recuperação das economias no resto do mundo.

Kurzarbeit

Do início de março até o final de abril, enquanto o desemprego na Alemanha aumentou em cerca de 400 mil pessoas, mais de 10 milhões de trabalhadores se candidataram ao Kurzarbeit, um programa de seguro social pelo qual os empregadores reduzem o horário de trabalho de seus funcionários em vez de dispensá-los. Sob o Kurzarbeit, o empregador paga o valor integral pelas horas trabalhadas e o governo paga 60% (ou mais) do valor das horas não trabalhadas.

Atualmente, cerca de 6,7 milhões de trabalhadores estão no Kurzarbeit.

Kurzarbeit: pedidos na crise financeira global de 2008/2009 vs pedidos no lockdown. Fonte/arte: © FMI
Kurzarbeit: pedidos na crise financeira global de 2008/2009 vs pedidos no lockdown. Fonte/arte: © FMI

No geral, o governo alemão está tornando o Kurzarbeit mais flexível, mais atraente para os empregadores e mais generoso para os funcionários, enquanto expande a cobertura entre setores e diferentes tipos de empregos.

No entanto, o profundo impacto desta crise no mercado de trabalho não pode ser superado apenas pelo Kurzarbeit. Em particular, os funcionários que não fazem contribuições para a seguridade social não são cobertos pelo Kurzarbeit e estão entre os que mais sofrem com a forte recessão na Alemanha.

* Com dados e informações do Statistisches Bundesamt, Eurostat, Fundo Monetário Internacional (IMF), The Economist

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