Nesta segunda-feira (5), a empresa anunciou que o seu Conselho de Administração aprovou a decisão de fechar a deficitária divisão móvel, após ter acumulado perdas crescentes nos últimos cinco anos que totalizaram US$ 4,5 bilhões.

A LG dependia fortemente dos mercados sul-coreano, norte-americano e brasileiro. Fonte: Counterpoint. Reprodução © Twitter/Neil Shah
A LG dependia fortemente dos mercados sul-coreano, norte-americano e brasileiro. Fonte: Counterpoint. Reprodução © Twitter/Neil Shah

A participação da LG no mercado global de smartphones, que já foi a terceira maior fabricante de celulares do mundo, atualmente é de cerca de 2%. A empresa vendeu 24 milhões de telefones em 2020, enquanto Samsung e Apple venderam cerca de 250 milhões e 200 milhões, respectivamente.

A LG espera encerrar totalmente as operações da divisão até o final de julho, mas os aparelhos continuarão a ser vendidos até o término dos estoques. Os modelos existentes terão suporte e atualizações de software por um certo período de tempo, dependendo da região.

A decisão estratégica permite a LG focar em "áreas de crescimento, como componentes de veículos elétricos, dispositivos conectados, casas inteligentes, robótica, inteligência artificial e soluções business-to-business, bem como plataformas e serviços", disse a empresa no comunicado.

"A LG continuará a alavancar sua experiência móvel e desenvolver tecnologias relacionadas à mobilidade, como 6G para ajudar a fortalecer ainda mais a competitividade em outras áreas de negócios. As principais tecnologias desenvolvidas durante as duas décadas de operações de negócios móveis da LG também serão mantidas e aplicadas a produtos existentes e futuros".

Atualização 06/04

LG vai encerrar também produção de notebooks e monitores em Taubaté.

"Em virtude dessa decisão [fim da divisão de celulares], a empresa também fará a transferência da produção de notebooks, monitores e all in one para sua unidade de Manaus, de modo que fortaleceremos nossa competitividade comercial em TV / PCs / monitores, com foco na fábrica existente de Manaus e, continuaremos a expandir com profissionais de vendas e serviços relacionados", diz trecho de comunicado da LG.

A empresa sul-coreana possui uma unidade industrial em Taubaté, desde 1997, e uma fábrica na Zona Franca de Manaus, na qual produz aparelhos de ar-condicionado e eletrodomésticos da chamada linha branca, que deixou de ser fabricada em julho de 2019 em Taubaté.

A unidade paulista ficaria apenas com o setor de call center e serviços da LG, na qual trabalham 300 pessoas. Do total de 1.000 trabalhadores da fábrica, 400 atuam no setor de celulares e outros 300 na área de notebook e monitores. Esses estariam com o emprego ameaçado.

"A LG nos informou hoje que está mantido o plano de fechamento da unidade de celulares e vai finalizar a produção de monitores e notebooks. Ainda não definiu prazos, que serão definidos em reuniões. Até o final do primeiro semestre, todas as atividades devem estar encerradas", disse Claudio Batista da Silva Júnior, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté (Sindmetau).

"A LG posicionou que é por conta da questão do ICMS e não ter incentivos no Estado de São Paulo, coisa que encontra em Manaus. Isso teria sido debatido com o governador do estado de São Paulo, que foi intransigente", acrescentou Claudio Batista.

Segundo a Prefeitura Municipal de Taubaté, desde o início de fevereiro, em tratativas entre LG e Prefeitura, a empresa informa que tem interesse em reativar a operação da linha branca na unidade paulista, sendo o único impeditivo o alto valor do ICMS praticado no Estado.

"A Prefeitura atua com a política de redução de impostos municipais, no limite da lei, para que a empresa permaneça na cidade e os empregos sejam mantidos. A Secretaria de Desenvolvimento e Inovação já informou ao Estado que, caso haja negociação sobre ICMS na planta de Taubaté, há condições da LG reativar a produção de linha branca”.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo de SP disse que "desconhece qualquer decisão da LG de encerrar produção de notebooks e monitores em suas unidades no Estado. A LG não procurou o Governo do Estado para tratar de qualquer questão tributária".

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