Um estudo publicado em outubro na revista Clinical Epidemiology, Recalibrating SARS-CoV-2 Antigen Rapid Lateral Flow Test Relative Sensitivity from Validation Studies to Absolute Sensitivity for Indicating Individuals Shedding Transmissible Virus, do Brigham and Women’s Hospital, University College of London (UCL) e pesquisadores de Harvard, descobriu que os testes de fluxo lateral (lateral flow test, LFT) são mais precisos do que relatado anteriormente e não podem ser comparados diretamente aos testes de PCR.

A testagem para o vírus da covid-19 tradicionalmente se concentra no diagnóstico de indivíduos sintomáticos usando testes de PCR reverso.

Os LFTs buscam testar regularmente indivíduos assintomáticos como parte da política de saúde pública.

Os estudos de validação para testes de fluxo lateral focam na comparação de sensibilidade, especificidade e valores preditivos com os testes de PCR.

Mas os dois testes funcionam de maneiras diferentes. O teste de fluxo lateral detecta proteínas de superfície do vírus e têm grande probabilidade de resultar positivo quando alguém está infectado, enquanto o teste de PCR detecta material genético do vírus, que pode estar presente por semanas depois que a pessoa não é mais infecciosa.

O estudo recalibra as estatísticas de desempenho relativo de fluxo lateral vs estudos de validação de PCR para fornecer sensibilidade absoluta dos LFTs para detectar indivíduos que estão eliminando antígenos SARS-CoV-2.

"Como os LFTs estão se tornando mais amplamente usados em escolas, locais de trabalho e para admissão em locais como aqueles usados para grandes eventos, é importante que os profissionais de saúde e o público tenham informações claras sobre as características de funcionamento dos testes. Demonstramos que a sensibilidade absoluta calibrada para detectar antígenos SARS-CoV-2 é provavelmente alta com LFT", diz o estudo.

Os pesquisadores descobriram que os testes laterais são mais de 80% eficazes na detecção de qualquer nível de infecção pelo vírus da covid-19 e provavelmente mais de 90% na detecção daqueles mais infecciosos, com maior carga viral.

"As críticas ao LFT por aparente baixa sensibilidade não levaram em consideração a biologia viral e a epidemiologia e acreditamos ter chegado a conclusões erradas. Isso confundiu a formulação de políticas e prejudicou a confiança pública nos LFTs, apesar da necessidade de melhores ferramentas para controlar a transmissão do SARS-CoV-2. Esperamos que as estatísticas de sensibilidade absoluta recalibradas ajudem na formulação de políticas e ajudem a construir a confiança do público no LFT como uma ferramenta para auxiliar a resiliência e recuperação do COVID-19", diz o estudo.

Os testes de fluxo lateral mostraram-se mais adequados do que os testes de PCR para identificar e conter a propagação pré-sintomática do vírus.

"Na maioria das amostras de indivíduos assintomáticos, esperaríamos que menos da metade dos indivíduos com PCR positivo liberassem antígenos SARS-CoV-2. Um teste de bom desempenho para detectar aqueles que liberam antígenos SARS-CoV-2 teria, portanto, uma sensibilidade relativa aparente (para PCR) nunca excedendo 50%. Recalibrando uma sensibilidade relativa aparente de 50%, em média esperaríamos uma sensibilidade absoluta aproximada de mais de 80% em testes para indivíduos eliminando antígenos SARS-CoV-2", concluiram os autores.

Os testes rápidos de antígeno geram relativamente poucos falsos positivos. No entanto, um resultado positivo tem maior probabilidade de ser um falso positivo quando a prevalência do vírus é baixa.

Os testes de fluxo lateral detectam infecções ativas, com resultados em minutos. No entanto, a base de evidências sobre seu desempenho é incompleta, Um ponto-chave é a necessidade de um melhor entendimento de seu potencial para detectar o vírus em diferentes pontos de uma infecção. Reprodução UK Parliament
Os testes de fluxo lateral detectam infecções ativas, com resultados em minutos. No entanto, a base de evidências sobre seu desempenho é incompleta, Um ponto-chave é a necessidade de um melhor entendimento de seu potencial para detectar o vírus em diferentes pontos de uma infecção. Reprodução UK Parliament

A capacidade de detectar rapidamente o vírus nas pessoas com maior probabilidade de transmiti-lo sugere os LFTs como potencial padrão ouro de saúde pública, porém a ampla acessibilidade a testes rápidos nos EUA é atualmente dificultada por um processo da FDA destinado a dispositivos médicos de alta tecnologia. Para serem aprovados, os LFTs devem demonstrar que são quase tão sensíveis quanto o PCR.

Na Europa, há relatos de uso de dispositivos LFT para a proteção de indivíduos de alto risco ou imunocomprometidos, pedindo-se aos visitantes que façam o teste de suas salivas na porta da residência.

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