"Eu já li comentários de observadores que disseram estar seriamente perplexos que tais declarações foram feitas pelo líder alemão", disse Lavrov.

"Isso evoca alguns pensamentos porque está longe de ser a única evidência do ressurgimento das aspirações dominantes na Alemanha", disse o chefe da diplomacia russa.

Tais declarações "devem ser ouvidas por outros membros da União Europeia (UE) e devem se tornar objeto de uma conversa séria", disse Lavrov. "Uma palestra sobre como a Europa se desenvolverá ainda mais e como continuará a tirar lições de sua dura história dos séculos passados".

A União Soviética suportou o peso da máquina de guerra nazista e desempenhou talvez o papel mais importante na derrota de Hitler entre os países aliados. Os alemães sofreram três quartos de suas perdas em tempo de guerra lutando contra o Exército Vermelho – 80 soldados soviéticos morreram em combate para cada soldado americano morto lutando contra os alemães, escreveu o Washington Post em 2015.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha nazista invadiu a então União Soviética na Operação Barbarossa, um embate que deixou 26,6 milhões de soviéticos mortos até 1945. De acordo com estimativas oficiais da Rússia, cerca de 12 milhões de soldados soviéticos foram mortos no campo de batalha, capturados (não tendo retornado) ou desaparecido; e aproximadamente 14,6 milhões eram civis que morreram nas zonas de ocupação, foram transferidos à força para a Alemanha (e não voltaram) ou perderam suas vidas por fome, doenças e outras causas.

Não há fumaça sem fogo

Respondendo à visão de Josep Borrell da União Europeia como poder militar, Lavrov disse que "provavelmente, primariamente são meras palavras, mas não há fumaça sem fogo".

"Há realmente uma ala russofóbica tão forte na União Europeia, que por muitos anos efetivamente impôs sua posição a todos os outros, explorando o princípio da solidariedade e do consenso", disse o diplomata russo.

Esta ala, segundo Lavrov, "agora está intensificando sua atividade".

"As declarações de Borrell, apesar da impropriedade das palavras beligerantes vindas da boca do principal diplomata da União Europeia, refletem a tendência que uma minoria agressiva está impondo a toda a União Europeia". E o ideal para essa minoria, disse Lavrov, é "uma União Europeia militarizada como um apêndice da OTAN".

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