O empréstimo será concedido sob o Defense Production Act, uma lei sancionada durante a Guerra da Coreia, que o governo Trump usou anteriormente para acelerar a produção de ventiladores pulmonares, máscaras e outros equipamentos médicos para ajudar a combater a Covid-19.

O objetivo do financiamento governamental, com prazo de 25 anos, é acelerar a produção de medicamentos com escassez no país e aqueles considerados críticos para o tratamento da Covid-19.

O empréstimo indiretamente beneficiará também o norte do Estado de New York, que se tornou parte do “cinturão da ferrugem” depois de décadas de importantes indústrias da região transferindo suas operações e empregos para o exterior.

Sob a marca Kodak Pharmaceuticals, a gigante da fotografia de 132 anos irá reorientar parte de sua estrutura industrial em Rochester (NY) e St. Paul (MN) para produzir vários ingredientes ativos usados na fabricação de medicamentos, incluindo os usados na hidroxicloroquina, a controversa droga antimalárica promovida pelos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Esta não é a primeira vez que a Kodak entra na indústria farmacêutica. Em 1988, a Kodak comprou a fabricante de medicamentos Sterling Drug por US$ 5,1 bilhões, mas dissolveu a empresa em 1994.

O evento desta terça-feira (28) no Kodak Center, em Rochester, com a participação de funcionários graduados do governo americano, marca a conclusão com êxito da triagem inicial do pedido de empréstimo e será seguida por uma auditoria padrão conduzida antes que o financiamento seja formalmente aprovado.

Quando totalmente operacional, a Kodak Pharmaceuticals terá capacidade no Eastman Business Park para produzir até 25% dos ingredientes farmacêuticos ativos usados em medicamentos genéricos não biológicos, não antibacterianos e genéricos, gerando 360 empregos diretos e 1.200 indiretos adicionais.

Até a virada do século, a Kodak era uma das empresas mais inovadoras e lucrativas do planeta, com 90% do mercado americano de fotografia nos anos 70. A empresa que inventou a máquina fotográfica digital, em 1975, e chegou a ter 145.000 funcionários em sua sede em Rochester, foi vítima de sua criação e hoje emprega cerca de 5.000 pessoas.

Trump, falando na tarde desta terça-feira em uma entrevista coletiva na Casa Branca, disse que o acordo foi "um avanço em trazer a produção farmacêutica de volta aos Estados Unidos", que criará novos empregos na região de Rochester.

Embora os americanos consumam aproximadamente 40% do suprimento mundial de ingredientes ativos usados ​​para produzir produtos farmacêuticos genéricos, apenas 10% desses materiais são fabricados nos Estados Unidos.

"Os americanos estão perigosamente dependentes de cadeias de suprimentos estrangeiras para seus medicamentos essenciais", disse o assessor da Casa Branca Peter Navarro em comunicado.

"Trata-se de garantir nossas cadeias de suprimentos agora e no futuro", disse John Polowczyk, líder da força-tarefa da cadeia de suprimentos da Casa Branca.

Jim Continenza, presidente da Kodak, disse que "a Kodak tem orgulho de fazer parte do fortalecimento da auto-suficiência dos Estados Unidos na produção dos principais ingredientes farmacêuticos necessários para manter nossos cidadãos seguros. Ao alavancar nossa vasta infraestrutura, profunda experiência na fabricação de produtos químicos e herança de inovação e qualidade, a Kodak desempenhará um papel crítico no retorno de uma cadeia de suprimentos farmacêutica americana confiável".

Na segunda-feira (27), ao retornar de uma viagem à Carolina do Norte, onde promoveu esforços para desenvolver uma vacina Covid-19, Trump retransmitiu mensagens antigas postadas em sua rede social defendendo o uso da hidroxicloroquina, reativando a polêmica sobre o medicamento, que não comprovou eficácia no tratamento de pacientes hospitalizados com Covid em nenhum dos inúmeros ensaios clínicos realizados com a droga.

* Com informações da Kodak, DFC

Veja também:

Leitura recomendada: