Embora existam mais de 100 propostas de carros elétricos voadores, incluindo projetos de empresas como Embraer, Boeing, Airbus e Uber, o veículo de dois lugares idealizado pela SkyDrive se distingue por ser o menor carro voador do mundo.

O modelo conceitual, chamado SD-XX, tem 1,5 metro de altura, 4 metros de largura e 3,5 metros de comprimento. Assemelhando-se a um drone do tamanho de um carro, o primeiro modelo – que a empresa espera estrear em 2023 – será capaz de voar a 100 km/h e com um alcance de dezenas de quilômetros.

Primeiro vôo multirotor tripulado do Japão. O protótipo da SkyDrive é um multirotor coaxial de 8 rotores com uma pequena cabine quadrada no topo e alguns escudos de plástico transparente entre o piloto e as hélices, uma grande versão de um drone Phantom. Cortesia © SkyDrive/Cartivador
Primeiro vôo multirotor tripulado do Japão. O protótipo da SkyDrive é um multirotor coaxial de 8 rotores com uma pequena cabine quadrada no topo e alguns escudos de plástico transparente entre o piloto e as hélices, uma versão grande de um drone Phantom. Cortesia © SkyDrive/Cartivador

O projeto atraiu mais de 100 patrocinadores, incluindo Toyota, NEC, Panasonic, Mizuno e Yazaki para financiamento e fornecimento de tecnologia, peças e recursos humanos.

A pesquisa no Japão sobre carros elétricos voadores começou em janeiro de 2014, iniciada como um projeto paralelo por um grupo de funcionários da Toyota – e de fato financiado pela Toyota no valor de US$ 35o.000. O grupo foi responsável pelo conceito de táxi aéreo oscilante da NEC em 2019.  

A SkyDrive foi fundada em julho de 2018 para acelerar essa iniciativa. No ano passado, a empresa recebeu US$ 14 milhões em uma rodada de investimentos, um orçamento muito pequeno para desenvolvimento, mas um bom ponto de partida para provar seu valor.

De acordo com Fukuzawa, só no final da década de 2020 a empresa será capaz de produzir eVTOLs (electric vertical take-off and landing aircraft, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical) que podem rodar em estradas normais. Mas o tamanho, a leveza e a quietude das aeronaves movidas a bateria tornariam mais fácil configurar pontos de decolagem e pouso em locais altamente convenientes, como o topo de um edifício, em comparação com o número limitado de heliportos disponíveis.

A SkyDrive pretende lançar um serviço comercial de táxi aéreo em 2023. Os deslocamentos iniciais seriam sobre o mar, pois seria muito arriscado voar sobre muitas pessoas.

"Estamos considerando iniciar o serviço na área da Baía de Osaka, com viagens de ida e volta entre locais como Universal Studios Japan, Osaka Aquarium Kaiyukan, Osaka Expo e as instalações de resort de Osaka", disse Fukuzawa.

As duas maiores dificuldades são obter a certificação para voos comerciais e garantir a mesma segurança e confiabilidade das aeronaves existentes.

"O número de peças de um carro voador é cerca de um milésimo ou décimo de milésimo do número de uma aeronave convencional", explica Fukuzawa. "Esperamos que o processo [de aprovação] leve cerca de dois anos".

Os projetos de carros voadores estão recebendo ajuda do governo do Japão, que está pressionando por sua comercialização em 2023.

A NEC testou com sucesso um protótipo em agosto de 2019
A NEC testou com sucesso um protótipo em agosto de 2019. Reprodução © Youtube/NEC

O objetivo do governo japonês é usar o espaço aéreo para transportar pessoas nas grandes cidades e fornecer um novo meio de transporte para áreas montanhosas e ilhas remotas, ou para uso em caso de desastres naturais e outras emergências.

Tomohiro Fukuzawa está convencido de que em 2050 qualquer um poderá voar para qualquer destino dentro dos 23 bairros de Tóquio em 10 minutos.

Em 2028, a SkyDrive planeja vender um carro voador totalmente autônomo para o público em geral.

Embora os multirotores possam não oferecer muito em termos de alcance ou eficiência de voo, o Japão está se esforçando por uma economia de hidrogênio, e multirotores movidos a células de combustível seria uma possibilidade comercial imediata, enquanto as baterias ainda têm vários saltos pela frente antes de serem viáveis. A SkyDrive não comenta sobre hidrogênio, mas a capacidade de realizar voos de longo alcance e reabastecimento super rápido seria uma vantagem.

Um mercado para os veículos "provavelmente poderia começar como um complemento ultranicho à infraestrutura de transporte existente, semelhante à forma como os helicópteros operam hoje", disse Rajeev Lalwani, analista do Morgan Stanley. “Eles poderiam mais tarde se transformar em um método econômico e eficiente em termos de tempo de viajar curtas e médias distâncias, eventualmente tirando negócios de empresas de automóveis e companhias aéreas”.

A demanda global por  eVTOLs é estimada em US$ 1,5 trilhão por volta de 2040, segundo cálculos do Morgan Stanley em 2019.

  • Com informações do The Japan Times, Newatlas

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