As empresas de fabricação japonesas tendem a não adquirir diretamente mercadorias da Rússia ou da Ucrânia, mas foram afetadas pelo conflito, e continuarão a ser atingidas por seus efeitos de longo alcance, avalia o Japan Times.

O aumento dos custos logísticos "será um grande golpe (para as empresas). O impacto já está sendo refletido, pois os custos de transporte estão subindo", disse Kazuhiro Terasaka, especialista em cadeias de suprimentos do Nomura Research Institute.

Em retaliação às sanções impostas por muitas nações europeias, companhias aéreas foram forçadas a redirecionar viagens que sobrevoavam o território russo.

A Rússia não restringiu as companhias aéreas japonesas, mas elas já mudaram as rotas de voo e também cancelaram voos para a Europa.

Em termos de viagens entre o Japão e a Europa, a Japan Airlines disse que só é capaz de operar voos comerciais e de carga entre o Japão e Londres, com a companhia aérea tendo que redirecionar sua rota para evitar voar sobre o espaço aéreo russo. Um porta-voz da JAL disse que não está claro quando a companhia aérea retomará outros voos de e para a Europa.

A Nippon Airways disse que, por razões de segurança, seus voos com destino à Europa estão fazendo um desvio. A Nippon Cargo Airlines retomou no domingo voos para a Europa, mas também usando uma rota diferente.

Quanto ao despacho por via marítima, as gigantes A.P. Moller-Maersk e MSC Mediterranean Shipping Company suspenderam o transporte de novas cargas de e para a Rússia. A Ocean Network Express, que é de propriedade conjunta de três grandes empresas de navegação japonesas, parou de enviar cargas de e para a Rússia e Ucrânia no final do mês passado.

"As empresas estão preocupadas que os custos de transporte aumentem, enquanto os prazos de produção também serão maiores" se a interrupção das redes logísticas persistir, disse Terasaka.

Os custos crescentes de entrega causarão danos adicionais a uma ampla gama de indústrias que já sofrem com o aumento dos preços das commodities e matérias-primas, que vão do petróleo ao aço e grãos.

Se o conflito se tornar prolongado, o impacto em alguns itens-chave, incluindo semicondutores, pode se tornar ainda mais sério – a Ucrânia fornece cerca de 70% do gás neon do mundo, usado em um processo de produção de chips chamado litografia. O país também é grande fornecedor do gás krypton.

A Reuters informou na semana passada que as duas maiores empresas produtoras de neon da Ucrânia, Ingas e Cryoin Engineering, interromperam a produção devido ao avanço da Rússia. A agência estima que as duas empresas forneçam entre 45% e 54% do neon usado na produção global de chips.

Como fabricantes de chips e distribuidores de neon e krypton têm estoques suficientes e também podem adquirir os gases de outros países, a crise da Ucrânia não afetará a fabricação de chips no curto prazo. No entanto, espera-se que a oferta reduzida eventualmente resulte em aumento dos custos de produção.

Hidetoshi Shibata, CEO da Renesas Electronics, principal fabricante de chips do Japão, disse que a empresa já viu algum impacto em sua cadeia de suprimentos.

A Renesas, que tem uma instalação de pesquisa e desenvolvimento na Ucrânia, é um importante fornecedor de chips para as montadoras. A empresa está avaliando como a crise ucraniana afetará a produção de seus clientes também.

Além da possibilidade de que a escassez de chips possa se agravar, as montadoras podem enfrentar outros problemas na cadeia de suprimentos, já que a Rússia é o principal fornecedor de paládio, usado em conversores catalíticos de veículos.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

* Com informações do Japan Times

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