"É essencial sempre antecipar o pior cenário e estar preparado para tomar medidas se o coronavírus se espalhar exponencialmente em determinadas áreas no futuro", disse Abe a parlamentares durante uma reunião do Comitê de Orçamento.

Se um estado de emergência for declarado, os governos locais estarão autorizados fechar ou reduzir o funcionamento de escolas e outros estabelecimentos públicos e pedir aos moradores que permaneçam dentro de casa. Também poderão construir instalações médicas temporárias e distribuir remédios e vacinas.

Na terça-feira passada (25/02), o Ministério da Saúde tinha divulgado um conjunto de políticas para lidar com o vírus, mas não incluiu medidas para o cancelamento de eventos. No dia seguinte, Abe pediu que os eventos esportivos e culturais de massa fossem cancelados ou adiados pelas próximas duas semanas.

O Primeiro-Ministro disse aos parlamentares que a decisão rápida decorreu de um aviso de especialistas em doenças infecciosas, em um painel do governo que monitora o vírus, de que as próximas duas semanas seriam fundamentais para evitar um cenário de pesadelo de infecção comunitária em massa. Acrescentando que as rotas de infecção eram desconhecidas em alguns casos relatados, Abe disse que eram necessárias ações preventivas.

”Certamente, acho que a questão de que não havia tempo suficiente de preparação está correta”, admitiu Abe. "No entanto, tomei uma decisão dentro de um período crítico de uma a duas semanas e não tive tempo para gastar. Peço desculpas pelo fardo, mas estamos lidando (com as consequências) cooperando com os municípios, conselhos de educação e funcionários das escolas”.

O Ministro da Saúde, Katsunobu Kato, estima que a partir de 10 de março será possível realizar diariamente cerca de 4.600 testes de vírus, através de uma expansão das capacidades de teste em instituições privadas, unidades de saúde e universidades, e será possível solicitar os testes diretamente de organizações médicas privadas sem visitar os centros de saúde públicos.

"Esperamos assegurar recursos de teste suficientes, permitindo que todos os pacientes façam o teste se o médico de família considerar necessário", disse Abe.

De 18 a 28 de fevereiro, teriam sido realizados 11 mil testes de coronavírus no total.

O número de infecções confirmadas no Japão, incluindo a tripulação e os passageiros do navio de cruzeiro Diamond Princess, estava em 979 na noite (horário local) desta segunda-feira (2).

Coreia do Sul, Itália, Irã e Japão são a "maior preocupação" da Organização Mundial da Saúde.

"Estamos em um território desconhecido", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS, em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

"A OMS não hesitará em descrever como uma pandemia, se as evidências sugerirem", disse Tedros.

* Com informações do Japan Times, U.S. News & World Report

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