"Com a União Européia, o Japão proporá uma verificação justa, independente e abrangente", disse Abe nesta sexta-feira (15).

O Ministro das Relações Exteriores Toshimitsu Motegi também disse na sexta-feira que o Japão está se juntando a um coro de pedidos para essa investigação, que deve ser conduzida por um órgão independente.

"Esta doença teve um impacto devastador em todo o mundo, e as informações devem ser compartilhadas entre os países de maneira livre, transparente e oportuna, para que não corramos o risco de se espalhar ainda mais rapidamente", disse Motegi em uma sessão parlamentar, em referência à Covid-19.

"Há muita discussão na comunidade internacional sobre exatamente de onde o vírus veio e a resposta inicial", disse ele. "É preciso haver uma investigação completa e é crucial que isso seja realizado por um órgão independente".

O Japão planeja expressar a opinião em uma reunião anual do órgão de decisão da OMS, que será realizada na próxima semana em um ambiente virtual.

O Primeiro-Ministro australiano, Scott Morrison, também pediu uma investigação sobre a origem do coronavírus SARS-CoV-2, mantendo-se firme quando a China anunciou planos de impor tarifas sobre as importações australianas de cevada, num movimento que muitos viram como retaliação.

A OMS tem sido acusada pelos Estados Unidos e por alguns de seus aliados de ter se omitido enquanto a China retinha informações que poderiam ter ajudado a limitar a propagação do vírus depois que ele foi relatado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan.

A última edição da revista semanal Der Spiegel relatou que a agência alemã de inteligência Bundesnachrichtendienst (BND) teria reportado um telefonema do líder chinês Xi Jinping em 21 de janeiro pedindo ao diretor-geral da OMS para reter informações.

O BND teria estimado que as informações que foram retidas pela OMS atrasaram de 4 a 6 semanas o combate mundial à Covid-19.

China's puppet

A Organização Mundial da Saúde realiza sua assembleia geral de 17 a 21 de maio, ao mesmo tempo em que enfrenta a maior crise de sua história. Atacada e criticada por seus estados membros, a organização promove o evento em seu pior momento.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, um dos críticos mais fortes da OMS ("um fantoche da China"), suspendeu o pagamento anual de US$ 500 milhões, cerca de 15% do orçamento da agência de saúde das Nações Unidas.

Em 31 de dezembro de 2019, a China, através da Comissão Municipal de Saúde de Wuhan, alertou oficialmente a OMS para a ocorrência de vários casos de pneumonias virais. Esses casos começaram a ser observados em novembro.

"A OMS foi enganada", disse John MacKenzie ao jornal britânico The Guardian. O consultor do comitê de emergência da organização observa que, quando a China informou a OMS em 31 de dezembro, seus cientistas já haviam sequenciado o genoma do vírus e já sabiam que estavam lidando com o novo coronavírus.

O genoma completo não foi compartilhado com a comunidade internacional até 12 de janeiro.

Em 14 de janeiro, a OMS postou em rede social que as investigações preliminares das autoridades chinesas não encontraram "nenhuma evidência clara de transmissão de humano para humano". No mesmo dia, um especialista da OMS disse que era possível que houvesse transmissão limitada. Em 22 de janeiro, uma missão da OMS na China disse que havia evidências de transmissão de humano para humano em Wuhan, mas eram necessárias mais investigações para entender toda a extensão. Dias depois, a OMS declarou que o coronavírus era "uma emergência na China" mas "não uma emergência de saúde global". Em 26 de janeiro, a OMS disse que o risco era "muito alto na China, alto no nível regional e alto no nível global".

Somente em 8 de fevereiro as autoridades chinesas autorizaram uma equipe de observadores da OMS em seu território.

A organização relutantemente declarou pandemia apenas em 11 de fevereiro, horas após a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ter declarado que 70% da população do país mais rico da Europa poderia se infectar com o novo coronavírus.

* Com informações do The Japan Times

Leitura recomendada:

Veja também: