As sucessivas exibições de poderio bélico da China, sem delinear objetivos estratégicos ou doutrina, tem sido motivo de alarme para os países vizinhos.  

Os novos mísseis balísticos, exibidos na parada militar em comemoração dos 70 anos da República Popular da China, aumentaram a "ansiedade global" em relação ao crescente poder militar chinês, disse o Ministro da Defesa do Japão, Taro Kono, ao Financial Times.

O governo comunista exibiu quatro novos sistemas de mísseis intercontinentais, incluindo armas hipersônicas que são difíceis de interceptar e podem ser usadas para atingir alvos terrestres ou navios de guerra no Japão.

"O orçamento, a doutrina, os sistemas de armas e sua localização aproximada, sua organização não são transparentes", disse Kono. “Temos insistido em pedir esclarecimentos [à China] ... mas realmente não vimos uma melhoria em sua transparência. Portanto, esses novos sistemas de armas simplesmente aumentam a ansiedade global”.

Em setembro, a China lançou ao mar um poderoso navio de assalto anfíbio, com capacidade inédita para transportar 30 helicópteros e centenas de soldados, e anunciou que outras duas embarcações estão em construção, o que poderia concretizar a ameaça do líder chinês de usar força militar contra Taiwan.

Kono afirmou que o governo japonês não pretende estabelecer laços militares com Taiwan, e considera improvável o Japão instalar mísseis de alcance intermediário, que o governo americano deseja implantar na Ásia após ter abandonado o Tratado sobre Armas Nucleares de Alcance Intermediário, firmado entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev durante a Guerra Fria.

Em vigor desde 1988, o acordo baniu mísseis nucleares e convencionais de médio alcance lançados de plataformas terrestres e capazes de atingir distâncias entre 500 km e 5.500 km. Mais de 2.600 desses mísseis foram destruídos desde então, a maioria dos quais estava estacionada em países europeus. Com o cancelamento do acordo, os dois países poderão voltar a produzir esse tipo de armamento.

Para Thomas Mahnken, da Universidade  Johns Hopkins, o próximo passo do governo dos Estados Unidos deverá ser a  instalação de mísseis convencionais de médio alcance em ilhas do Pacífico e em territórios de países aliados. O objetivo seria  contra-atacar a potência de Pequim no Mar do Sul da China, onde os  chineses, detentores de um dos arsenais mais avançados do mundo, disputam territórios e influência.

Segundo o Ministro Kono, o Japão não discutiu com os EUA o lançamento de mísseis convencionais e o uso de armas nucleares em solo japonês é inconcebível.

"Os EUA ainda não têm mísseis não nucleares que podem ser instalados. Talvez eles estejam na fase de desenvolvimento ", disse Kono. “Nós não discutimos nada disso. Sabemos que a China precisa ser incluída na próxima rodada de um tratado de mísseis e precisa ser incluída nas negociações de desarmamento nuclear. Eu acho que o mundo inteiro precisa empurrar a China para isso”.

Kono disse que suas três principais prioridades são: melhorar a prontidão do Japão, com novos equipamentos e recursos cibernéticos; melhorar as condições das tropas, dada a dificuldade de recrutamento no envelhecimento da sociedade japonesa; e fortalecer a base industrial de defesa do país.

O orçamento de 2020 da defesa japonesa, de US$ 48,6 bilhões, reforça gastos com capacidades avançadas de defesa aérea e reduz investimentos em forças navais e terrestres.

O investimento em aeronaves para 'patrulhamento maritimo', com um sofisticado reabastecimento ar-ar, teria o objetivo de sinalizar uma posição de força na área das disputadas Ilhas Senkaku, conhecidas na China como Diaoyu.

Entre as aquisições previstas, caças Lockheed F-35B, que podem decolar e pousar verticalmente, deverão operar em porta-helicópteros da classe Izumo, navios de 250m de comprimento da Força Marítima de Autodefesa do Japão.

Embora o navio de guerra possa ser adaptado para transportar caças, tal uso excede a natureza defensiva, conforme especificado na constituição japonesa.

O governo tomou uma posição de que o Japão não tem permissão para operar porta-aviões de ataque, o que marcaria um desvio do princípio de que o país deveria se limitar a manter as capacidades de autodefesa necessárias.

Os legisladores, portanto, discutiram um nome oficial para designar o porta-aviões de alto poder ofensivo que estivesse em conformidade com a constituição.

O partido do governo propôs chamar a embarcação de “porta-aviões defensivo”, mas a sugestão foi rejeitada porque usar o termo “porta-aviões” era inaceitável.

Foi proposto então o termo “navio-mãe (bokan) de operação multipropósito”. Não foi aceito porque “bokan” evoca a imagem de “Kubo” (porta-aviões).

Depois de muitas considerações, os politicos japoneses decretaram a compatibilidade do navio de guerra com a constituição: Não é um porta-aviões de ataque, é um “destróier de operações multipropósito”.

Falta combinar com os russos ... e chineses, recomendaria Garrincha.

Funcionários da Defesa japonesa estariam estudando reforçar os conveses de dois porta-helicópteros da classe “Izumo” e fazer outros ajustes para que os F-35Bs possam ser lançados a partir dos navios de guerra.
Funcionários da Defesa japonesa estariam estudando reforçar os conveses de dois porta-helicópteros da classe “Izumo” e fazer outros ajustes para que os caças F-35B possam ser lançados a partir dos navios de guerra.

Desde 2012, quando Shinzo Abe chegou ao poder, as despesas do Japão com Defesa cresceram 13%.

* Com informações e dados do Financial Times, O Globo, Asahi Shimbun, e do site Poder Naval