O surto de Covid-19 no Japão ameaça colapsar o sistema de saúde, paralisar a economia e prejudicar os meios de subsistência de milhões de pessoas.

Por cerca de três semanas, o governo hesitou em tomar a decisão pelo impacto na economia. Com a declaração de emergência, os governadores das sete prefeituras poderão solicitar que os moradores não saiam de casa exceto para tarefas essenciais, como compras de mantimentos e atendimento médico.

Os governos locais também poderão solicitar que escolas, universidades, creches, cinemas, discotecas, boates e outras instalações fechem temporariamente. Em caso de não atendimento, o nome da instituição ou empresa poderá ser divulgado, envergonhando-a publicamente.

Mas não há outras penalidades contra tais recusas.

Os pedidos são entendidos como uma "demanda" com uma forte expectativa de que os solicitados obedeçam. O estado de emergência não dá poder legal para executar ações extremamente restritivas ou isolar (lockdown) cidades.

Contudo, os governos das prefeituras poderão obrigar que fornecedores de medicamentos e alimentos vendam seus produtos às autoridades, e poderão utilizar terrenos privados para construir hospitais de campanha sem o aval do proprietário.

A medida isenta serviços de eletricidade, água e gás, supermercados, lojas de conveniência, farmácias, bancos, correios e transporte público. Empresas aéreas também poderão operar normalmente, sem obrigação de redução de rotas ou voos.

Os detalhes sobre quais empresas deverão fechar serão anunciados em 10 de abril e entrarão em vigor no dia seguinte, disse o governador de Tóquio, Yuriko Koike, nesta terça-feira (7).

Repercussão

Isetan Mitsukoshi  e Lumine fecharão lojas, enquanto a Nintendo disse que fechará sua loja principal de Tóquio. A Toyo Tire disse que, após a declaração, fechará sua sede e outras operações na prefeitura de Hyogo por um mês. A Sega disse que fechará todos os escritórios nas áreas afetadas por um mês.

A Kao, que fabrica cosméticos e produtos para o lar, disse que a equipe corporativa fará teletrabalho, enquanto esteticistas e vendedores param de trabalhar nas lojas. A Rakuten planeja fechar temporariamente 568 de suas lojas de móveis. SoftBank reduziu o horário em alguns locais de varejo e fechou várias lojas nas prefeituras de Tóquio, Osaka, Sendai e Kanagawa depois que funcionários foram contagiados.

As montadoras Nissan e Honda Motor planejam manter a fabricação de veículos e a fábrica da Kioxia em Yokkaichi continuará a produção de chips de memória para smartphones.

A Agência de Serviços Financeiros está pedindo aos bancos comerciais que mantenham as agências abertas durante a emergência, mantendo um número mínimo de funcionários no local. Entre as corretoras, a Nomura disse que deixará temporariamente de atender clientes de varejo em 64 locais.

"Uma grande queda no PIB de abril a junho é inevitável, porque o setor de serviços, que representa uma grande parte da economia do Japão, deverá fechar", disse Yuki Endo, economista sênior do Instituto de Pesquisa Hamagin. “A maior parte do emprego nesse setor é de meio período. As condições de emprego para trabalhadores em meio período se deteriorarão bastante”.

Compensações

O Primeiro-Ministro Shinzo Abe rejeitou a proposta de parlamentares da oposição de reembolsar as empresas que ficarão fechadas.

"A proposta não é realista", respondeu Abe.

"Não seria justo se compensássemos apenas as empresas que serão obrigadas a interromper as operações", disse Abe, argumentando que se o governo seguisse esse caminho, os restaurantes seriam compensados, mas não seus fornecedores.

Shinzo Abe disse que o pacote recentemente anunciado pelo governo de medidas econômicas de emergência destina US$ 413 bilhões à empresas que enfrentam dificuldades para efetuar pagamentos. O Primeiro-Ministro defendeu que as várias novas medidas manterão as empresas operando e os trabalhadores empregados.

* Com informações do The Asahi Shimbun, The Japan Times

Veja também: