O Japão considera que não pode facilmente substituir seus ativos de petróleo e gás russos.

“Os japoneses não têm necessariamente a mesma razão para agir como seus outros parceiros” americanos e europeus, disse Hiroshi Hashimoto, analista do Instituto de Economia da Energia do Japão. “Eles têm considerações diferentes”, incluindo a estabilidade da oferta.

Para o Japão, possuir ativos de energia é muito mais importante do que apenas ter contratos de fornecimento — isso lhes dá um assento na mesa e ajuda a garantir que o combustível será realmente entregue.

O Ministro do Comércio, Koichi Hagiuda, disse na terça-feira (8) que o Japão deve proteger sua segurança energética "tanto quanto possível". As sanções à Rússia serão inúteis se o Japão sair dos projetos apenas para outro país tomar seu lugar, ponderou Koichi na segunda-feira.

O Japão importa apenas cerca de 9% de seu gás da Rússia, mas possui um acordo para desenvolver petróleo e gás natural na ilha de Sakhalin que remonta a 1972.

A operadora do projeto é a Sakhalin Energy Investment Company Ltd. (Sakhalin Energy). Os acionistas são PJSC Gazprom (50%, mais uma ação), Shell Sakhalin Holdings B.V. (27,5%, menos uma ação), Mitsui Sakhalin Holdings B.V. (12.5%) e a subsidiária da Mitsubishi Corporation Diamond Gas Sakhalin B.V. (10%).

© Gazprom
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Embora Mitsubishi e Mitsui tenham levado décadas construindo relações na Rússia, incluindo o projeto Sakhalin 2, a fábrica de exportação de gás liquefeito de petróleo (LNG) começou a operar em 2009 e rapidamente se tornou um dos projetos mais confiáveis ​​para Tóquio.

Por sua vez, um consórcio apoiado pelo governo japonês, que inclui a Japan Oil, Gas and Metals National e a Mitsui, também assumiu uma participação em um empreendimento de energia russo, o projeto Arctic LNG 2, que está programado para começar a produção em 2023.

No total, o Japão tem cerca de US$ 8,4 bilhões em investimentos em instalações de energia russas, relata a Bloomberg.

As empresas japonesas foram surpreendidas com o movimento da Shell para sair do projeto Sakhalin 2 na semana passada. A retirada levou a Mitsubishi e a Mitsui a realizar discussões urgentes com o governo do Japão.

Contudo, a decisão da Exxon de vender sua participação no ativo petrolífero offshore Sakhalin 1 incomodou ainda mais os parceiros japoneses, à medida que a empresa opera a instalação, e sem o seu conhecimento técnico e experiência o futuro do empreendimento está em risco.

A Ilha Sakhalin bombeia 400.000 barris de petróleo por dia (bpd).

Os investimentos do Japão na Rússia podem se tornar ainda mais questionados à medida que o Primeiro-Ministro Fumio Kishida adota um discurso forte contra Moscou.

Exportação de gás natural liquefeito (LNG) no complexo de produção de Prigorodnoye, na Ilha Sakhalin, norte do Japão. Foto: © Sakhalin Energy
Exportação de gás natural liquefeito (LNG) no complexo de produção de Prigorodnoye, na Ilha Sakhalin, norte do Japão. Foto: © Sakhalin Energy

* Com informações da Bloomberg

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