A média da União Europeia em 2017 foi de 44 casamentos por 1.000 habitantes.

De acordo com os dados de 2018, divulgados sexta-feira (14) pela Eurostat, as baixas médias de matrimônio em Luxemburgo (31), Itália (32), Portugal (34) e Espanha (35) contrastam com as taxas do Chipre (78), Romênia (74), Lituânia (70), Letônia (68) e até mesmo Dinamarca (56) e Reino Unido (44).

Marriage indicators. Fonte: Eurostat (atualização 2020-02-13). (*) Levantamento 2017
Marriage indicators. Fonte: Eurostat (atualização 2020-02-13). (*) Levantamento 2017

As taxas de casamento caíram drasticamente na maioria dos principais países europeus na última década, resultado da austeridade, crise geracional e a apatia em relação à instituição.

O número de casamentos caiu para mínimos históricos na França e na Espanha e caiu em outros países católicos, como Itália, Irlanda, Polônia e Portugal, de acordo com dados nacionais e europeus. Mas as pessoas também perderam o interesse pelo casamento em países tão variados quanto Grécia, Dinamarca, Hungria, Holanda e Grã-Bretanha. Somente em partes da Escandinávia, as repúblicas do Báltico e na Alemanha a instituição mantém seu fascínio.

O número de casamentos na Itália no ano passado foi de 32 por 1.000 habitantes, em comparação com 46 em 2003, é "o mais baixo da história moderna"segundo o Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat),

Existem causas culturais e econômicas para esse fenômeno. O casamento se tornou menos importante do ponto de vista religioso e civil, porque muitos jovens vivem juntos sem se casar, mas o casamento também significa celebrar e muitas vezes essa comemoração custa caro.

A crise econômica não significa apenas pessoas que desejam economizar dinheiro em uma festa. Um estudo de 2014 constatou que quase metade das pessoas entre 18 e 30 anos na Europa ainda vive com os pais, impedidas de voar do ninho devido à falta de emprego, grandes dívidas, como financiamento estudantil, e o aumento dos preços dos imóveis.

Especialistas dizem que essa tempestade perfeita de fatores está atingindo as taxas de natalidade.

"A falta de empregos estáveis e a falta de crédito tornaram-se desestímulos à formação de uma família", disse Teresa Castro-Martin, professora do CSIC, um instituto de pesquisa do governo na Espanha. A idade média dos recém-casados na Espanha é agora de 37,2 anos para os homens – quase 10 anos a mais do que nos anos 80. "O casamento tem sido tradicionalmente um rito de passagem para a vida adulta, mas perdeu sua centralidade", disse Castro-Martin ao The Guardian em 2014.

Na França, a tendência de queda nos casamentos foi afetada pelo aumento dos contratos de parceria civil. Em 2013, para cada três casamentos, havia duas parcerias civis, conhecidas como PACS (pacte civil de solidarité), que foram introduzidas em 1999.

Magali Mazuy, demógrafa do Instituto Nacional Francês de Estudos Demográficos, disse ao The Guardian que a queda no número de casamentos pode ser atribuída em parte à popularidade do PACS, mas também observou que "apenas uma fração dos pacsés [pessoas com PACS] posteriormente se casa". Ela via o casamento como "um núcleo duro de pessoas ligadas aos valores tradicionais, ou que o escolhem pelo que simboliza: a noção de casamento, compromisso e fidelidade". Mas ela também disse que o casamento era visto como "proteção" do cônjuge ou filhos em caso de morte, enquanto o PACS oferece menos proteção.

Desde 1965 a média de casamentos na UE caiu pela metade, enquanto a taxa de divórcios (19 por mil habitantes) duplicou ao longo de mais de cinco décadas.

* Com dados e informações do Eurostat e The Guardian

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