"A decisão tomada pelo governo é encerrar todas as atividades produtivas em todo o território que não sejam estritamente necessárias, cruciais, indispensáveis, para garantir bens e serviços essenciais", disse o Primeiro-Ministro Giuseppe Conte em um dramático discurso na TV italiana no final da noite de sábado.

"É a crise mais difícil do nosso período pós-guerra", disse Conte. "Somente atividades de produção consideradas vitais para a produção nacional serão permitidas".

Supermercados, farmácias, serviços postais e bancários permanecerão abertos, disse Conte, e serviços públicos essenciais, incluindo transporte, serão assegurados.

"Estamos desacelerando o mecanismo de produção do país, mas não estamos parando", disse o Primeiro-Ministro.

Conte e Putin conversaram no sábado e ficou acertado que o Kremlin enviará veículos de desinfecção e especialistas para ajudar as regiões italianas mais atingidas.

Confinamento

O chefe do Instituto Nacional de Saúde (ISS), Silvio Brusaferro, pediu aos idosos que não saiam de casa porque a idade média das vítimas italianas é de 78,5 anos.

"Se você não seguir todas as medidas (do governo), tornará tudo mais difícil", disse a principal autoridade de saúde da Itália. "Se você fizer isso, podemos fazer com que esse surto diminua".

Mas a intenção do governo italiano parece ser manter toda a população dentro de casa o máximo possível, a qualquer custo.

Em Roma, policiais estão verificando documentos e multando pessoas que estão circulando nas ruas sem uma justificativa válida.

Caminhadas e corridas são permitidas, mas limitadas ao quarteirão, e entrar em um parque ou tirar fotos de lugares históricos vazios é garantia de ser multado, assim como esperar fora da fila para entrar em mercados e farmácias.

O Governo Conte está apostando que essa abordagem para controlar a propagação do vírus é eficaz, concedendo aos críticos que a economia sofrerá perdas extraordinárias no curto prazo.

O problema para Conte é que o confinamento não está funcionando. O número de infecções aumentou no sábado em 6.557 pessoas, para 53.578 casos conhecidos de covid-19.

Os países com mais fatalidades são: Itália, com 5.476 casos fatais, China (3,261), Espanha (1.756), Irã (1.685), França (674), Estados Unidos (400), Reino Unido (281), Holanda (179), Coreia do Sul (104), Suiça (98) e Alemanha (93). As mortes causadas pelo vírus ultrapassam 14.500 no mundo (22/03/2020 20:00 UTC).

Lombardia

O número total de mortes nas regiões do norte da Lombardia em torno de Milão ultrapassou 3.000.

A Lombardia está fechada (lockdown) desde 8 de março e o governo esperava ver os resultados lá primeiro.

A região de cerca de 10 milhões de habitantes registrou 2.380 novas infecções na sexta-feira e 3.251 no sábado.

Neste domingo (22), a região aumentou as medidas restritivas para conter o surto, proibindo atividades desde prática de esportes a reuniões em lugares públicos, com multas que chegam a 5.000 euros. A população deverá manter um metro de distância em todos os momentos, como em transportes públicos, supermercados, farmácias e hospitais.

O decreto suspende até 15 de abril todas as atividades de escritório, de empresas e de serviços públicos, menos as relacionadas com serviços essenciais, urgentes ou de utilidade pública; interrompe as obras e construções em andamento, exceto as hospitalares e rodoviárias; e veda a operação de máquinas de venda automática.

Determina também que todas as unidades de hospedagem serão fechadas e os hóspedes deverão deixar suas acomodações em até 3 dias.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o número de pessoas confinadas atingiu 85 milhões após New Jersey se juntar no sábado aos estados de New York, Connecticut, Illinois e Califórnia, cujas populações foram ordenadas a não sair de casa. O país tem quase 30.000 doentes sendo tratados de covid-19 e registra 340 mortes causadas pela infecção.

* Com informações do Jornal de Negócios, RTE, The Guardian