Com o acordo, o IVA (Inclusive Vaccines Alliance) visa acelerar o fornecimento da vacina a outros países europeus que desejam participar da iniciativa.

Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, disse: “Este acordo garantirá que centenas de milhões de europeus tenham acesso à vacina da Universidade de Oxford após a aprovação. Com nossa cadeia de suprimentos européia prestes a iniciar a produção em breve, esperamos disponibilizar a vacina ampla e rapidamente. Gostaria de agradecer aos governos da Alemanha, França, Itália e Holanda pelo comprometimento e resposta rápida”.

O acordo é o mais recente de uma série para fazer a vacina — mesmo que não seja certo que funcionará.

A AstraZeneca licenciou da Universidade de Oxford a vacina recombinante contra adenovírus ChAdOx1 nCoV-19, que passou a se chamar AZD1222.

A empresa recentemente fechou acordos semelhantes com o Reino Unido, os Estados Unidos, a CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations), criada pela Fundação Bill & Melinda Gates e sediada na Noruega, e com a GAVI (Global Alliance for Vaccines and Immunisation), também financiada pela Fundação Gates, e licenciou o Serum Institute of India, o maior fabricante mundial de vacinas, para produzir um bilhão de doses.

A AstraZeneca procura expandir a capacidade de fabricação e diz estar aberta a colaborar com outras empresas para cumprir seu compromisso de apoiar o acesso à vacina sem fins lucrativos durante a pandemia.

No início desta semana, a empresa assinou um acordo com a empresa americana Emergent BioSolutions para ser sua parceira de fabricação nos EUA.

Atualmente, a capacidade total de produção é de dois bilhões de doses.

Como a maioria das vacinas que estão sendo desenvolvidas, as empresas estão trabalhando para ampliar a fabricação com antecedência, na esperança de que sejam comprovadamente seguras e aprovadas, para que possam ser fabricadas e distribuídas globalmente o mais rápido possível.

O Brasil é o primeiro a iniciar testes clínicos da AZD1222 fora do Reino Unido. A vacina será aplicada em 2.000 voluntários. Para a etapa em São Paulo, a Universidade Federal de São Paulo irá recrutar mil pessoas que estejam expostas ao vírus da Covid-19. No Rio, os testes serão conduzidos pelo Instituto D’Or.

As despesas da infraestrutura médica e de equipamentos necessários, em torno de US$ 2 milhões, serão custeadas em São Paulo pela Fundação Lemann, e no Rio de Janeiro, pela Rede D’Or São Luiz.

AZD1222

A ChAdOx1 nCoV-19/AZD1222 usa um vetor viral de chimpanzé com deficiência de replicação, baseado em uma versão enfraquecida de um vírus do resfriado comum (adenovírus) que causa infecções em chimpanzés e contém o material genético da proteína spike SARS-CoV-2. Após a vacinação, a proteína de pico de superfície é produzida, iniciando o sistema imunológico para atacar a Covid-19 se posteriormente infectar o corpo.

A vacina foi testada em seis macacos rhesus no National Institutes of Health’s Rocky Mountain Laboratory, em Montana, EUA, que foram expostos a grandes volumes do coronavírus SARS-CoV-2. Mais de 28 dias depois, todos os seis ainda estavam saudáveis.

O vetor de adenovírus recombinante (ChAdOx1) foi escolhido por gerar uma forte resposta imune a partir de uma dose única e não se replicar; portanto, não pode causar uma infecção contínua no indivíduo vacinado. As vacinas feitas com o vírus ChAdOx1 foram administradas a mais de 320 pessoas até o momento e demonstraram ser seguras e bem toleradas, embora possam causar efeitos colaterais temporários, como febre, sintomas semelhantes aos da gripe, dor de cabeça ou dor no braço.

* Com informações da AstraZeneca

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