O número de pacientes internados em Israel em estado grave como resultado da covid-19 subiu para 1.254 neste sábado (5), o número mais alto desde o início da pandemia, segundo novos dados do Ministério da Saúde.

Número de hospitalizações por covid-19 segundo o estado de saúde do paciente. Fonte: Ministério da Saúde de Israel
Número de hospitalizações por covid-19 segundo o estado de saúde do paciente. Fonte: Ministério da Saúde de Israel

No último mês, 679 pessoas morreram de covid-19 em Israel. No entanto, não significa que a vacina seja menos eficaz do que em ondas anteriores, defende o Prof. Hagai Levine, presidente da Associação Israelense de Médicos de Saúde Pública. Ele observou que diferenças nas variantes, taxas de vacinação e outros fatores dificultam as comparações entre ondas.

"A vacina é eficaz contra doenças graves e morte, mas não é 100% à prova de bala. E, infelizmente, vemos que a efetividade contra a infecção por Ômicron é muito fraca", disse Levine à imprensa local.

Ele acrescentou que há também uma clara variação nas taxas de mortalidade entre grupos com menor e maior nível socioeconômico.

"De acordo com estimativas, a taxa de infecção é realmente muito maior porque você não pode testar todos", ponderou o médico.

Média móvel de 7 dias do número de novas infecções diárias por SARS-CoV-2 em Israel.
Média móvel de 7 dias do número de novas infecções diárias por SARS-CoV-2 em Israel.
"É uma epidemia generalizada e, como temíamos, uma vez que há um número tão alto de infecções, mesmo que a taxa de mortalidade seja relativamente baixa, você ainda tem muitas mortes – e esse é claramente um dos problemas", disse Levine.

"Não poderíamos fazer muito mais para evitar a transmissão, mas poderíamos proteger melhor os mais vulneráveis – não fomos bem o suficiente", observou.

Média móvel de 7 dias do número de óbitos diários por SARS-CoV-2 em Israel
Média móvel de 7 dias do número de óbitos diários por SARS-CoV-2 em Israel

Parte da dificuldade em analisar a taxa de mortalidade atual é a indisponibilidade de dados relativos àqueles que morreram por complicações da covid-19 e aqueles que tiveram outras causas enquanto estavam infectados. Há também falta de informação sobre a divisão entre os casos de Ômicron e Delta entre os falecidos.

Os números oficiais do período de 4 de janeiro a 1º de fevereiro mostraram que a taxa média diária de mortalidade zerou para aqueles com menos de 60 anos. Os últimos dados do Ministério da Saúde de Israel registram que a taxa de mortalidade nesta faixa se mantém próxima de zero, apesar da explosão no país de infecções pelo vírus da covid-19.

Contudo, no grupo de pessoas maiores de 60 anos, apenas a taxa de mortalidade dos vacinados se manteve baixa.

Nas estatísticas israelenses, são consideradas não vacinadas todas as pessoas que não receberam a 2ª dose da vacina há mais de 14 dias, enquanto aquelas que não tomaram a dose de reforço no prazo são incluidas como vacinadas sem validade.

Muitos idosos não vacinados são pessoas em estado de saúde crítico ou frágil, cuja imunização não foi recomendada pelos seus médicos, porque o risco da vacina para o paciente debilitado seria maior que possíveis benefícios.

De acordo com dados publicados pelo Ministério da Saúde de Israel, a situação da vacinação no país contra complicações de infecções por SARS-CoV-2 é a seguinte:

  • 1ª dose - 6,692,594 pessoas
  • 2ª dose - 6,102,839
  • 3ª dose - 4,447,657
  • 4ª dose - 661,355

Neste sábado (5), foram testados 115.922 indivíduos para infecção por SARS-CoV-2, com taxa de positividade de 28,8%.

Cerca de 300 infecções por Ômicron BA.2 foram detectados em Israel até agora, a maioria entre pessoas que retornavam do exterior.

Segundo a Dra. Dorit Nitzan, gerente de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa, a sublinhagem BA.2 é três vezes mais contagiosa comparada à Ômicron BA.1, dominante em Israel.

Na quinta-feira (3), Israel ultrapassou a marca de 3 milhões de infecções e 9.000 óbitos atribuidos ao vírus da covid-19.

Israel atingiu 2 milhões de infecções em 19 de janeiro, o que significa que um terço de todos os casos registrados em Israel foram detectados nas últimas duas semanas.

Neste sábado, o número de casos ativos caiu para 344.470, segundo o Ministério da Saúde, 1,254 pacientes estão hospitalizados em estado grave e cerca de 55.400 pessoas estão confinadas. Nos últimos 7 dias faleceram 318 doentes com covid-19.

Relaxamento de restrições

Apesar dos números recordes de infecções, hospitalizações e óbitos, e das perspectivas de intensificação de casos pela variante BA.2, o gabinete do governo israelense votou na sexta-feira (4) pela reversão das exigências para o Green Pass.

A partir da próxima segunda-feira (7), a população de Israel não terá mais que exibir seus passes para entrar em restaurantes, cinemas, academias e hotéis.

A comprovação ainda será exigida na entrada em locais fechados onde há maior risco de infecção, como salas de eventos e clubes de dança.

O novo Green Pass é válido para todos aqueles que se recuperaram ou receberam duas doses da vacina nos últimos quatro meses, e qualquer pessoa que tenha recebido três ou quatro doses a qualquer momento.

O gabinete também aprovou a remoção dos requisitos do "Purple Pass" em locais comerciais, que exigia que as empresas limitassem a capacidade nas lojas, e a remoção da exigência de distanciar 1,5 metro entre mesas em restaurantes.

As novas regras permanecerão em vigor até 1º de março.

No início de janeiro, o coordenador responsável pelo gerenciamento da epidemia de coronavírus em Israel, Salman Zarka, rejeitou as crescentes especulações de que o governo israelense estaria buscando uma política de imunidade de rebanho.

O epidemiologista exortou à população a fazer o que puder para evitar a infecção, enfatizando que os hospitais israelenses correm risco de sobrecarga, por uma combinação de variantes do coronavírus SARS-CoV-2 somada à gripe sazonal.

“Não temos política de infecção em massa. A imunidade do rebanho não tem base científica”, disse Zarka em uma entrevista coletiva. “No momento, estamos enfrentando uma onda combinada, com a variante Delta ainda ativa, e alguns pacientes hospitalizados estão sofrendo disso”.

Ele enfatizou que os casos de Ômicron continuariam aumentando.

“Não podemos evitar que o vírus se espalhe. Estamos trabalhando para diminuir a morbidade, para proteger as pessoas, especialmente aquelas em risco”.

Evolução do acumulado de infecções por SARS-CoV-2 em Israel desde o início da pandemia
Evolução do acumulado de infecções por SARS-CoV-2 em Israel desde o início da pandemia 

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