Israel isolou um importante anticorpo contra o coronavírus SARS-CoV-2 em seu principal laboratório de pesquisa biológica, disse o Ministro da Defesa de Israel, Naftali Bennett, qualificando o trabalho desenvolvido como "grande conquista".

O anticorpo monoclonal desenvolvido no Instituto de Pesquisa Biológica de Israel (IIBR) neutraliza o coronavírus em pessoas infectadas e também será usado em vacinas. Um anticorpo monoclonal significa que foi derivado de uma única célula recuperada e, portanto, é potencialmente mais potente no tratamento.

Em outros lugares, houve tratamentos desenvolvidos a partir de anticorpos policlonais, derivados de duas ou mais células de ancestralidade diferente, informa a revista Science Direct em sua edição de maio.

O IIBR dedica-se a investigar armas químicas e biológicas, desenvolvendo antídotos contra novas substâncias, e tem liderado os esforços israelenses para desenvolver um tratamento e vacina para o coronavírus, incluindo pesquisas do sangue daqueles que se recuperaram da Covid-19, a doença causada pelo vírus.

Os anticorpos nessas amostras – proteínas do sistema imunológico que são resíduos da superação bem-sucedida do coronavírus – são amplamente vistos como uma chave para o desenvolvimento de uma possível cura.

Bennett visitou os laboratórios do IIBR, uma unidade secreta ligada ao Gabinete do Primeiro-Ministro, em Ness Ziona, onde lhe foi mostrado o "anticorpo que ataca o vírus de maneira monoclonal e pode neutralizá-lo dentro dos corpos daqueles doentes”, segundo nota oficial. "De acordo com os pesquisadores, liderados pelo professor Shmuel Shapiro, a fase de desenvolvimento do anticorpo foi concluída", afirma o comunicado.

Mais de 50 cientistas do IIBR estiveram envolvidos na pesquisa e desenvolvimento do anticorpo. O Instituto agora prepara o licenciamento para produção em escala.

Ação conjunta

O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu participou nesta segunda-feira de uma conferência internacional de doadores, arrecadando fundos para ação conjunta contra a pandemia de coronavírus.

“Como todos os países, Israel agora está tentando encontrar o equilíbrio entre proteger a saúde de nossos cidadãos, impedindo outro pico de infecções, e permitir a reabertura de nossa economia, mas, em última análise, para garantir a saúde pública e a prosperidade nacional, todos devemos trabalhar juntos para melhorar o diagnóstico, acelerar as terapias e, finalmente, desenvolver uma vacina”, disse em mensagem pré-gravada para o evento virtual.

"Estou confiante de que as principais instituições de pesquisa de Israel, seus cientistas de renome mundial e nossa cultura única de inovação podem nos permitir desempenhar um papel importante no avanço de soluções nas três frentes", prosseguiu. "Esperamos trabalhar com outros países para alavancar nossas capacidades exclusivas e encontrar soluções para o benefício de todos".

No início de fevereiro, antes do coronavírus chegar a Israel, Netanyahu instruiu o IIBR e o Ministério da Saúde a trabalhar para criar uma vacina contra o vírus e estabelecer uma fábrica de vacinas.

"É possível que mesmo nesta questão, se trabalharmos rápido o suficiente, com um orçamento apropriado e as pessoas talentosas que temos, Israel esteja à frente do mundo", disse ele na época.

Corrida global

Holanda e Alemanha anunciaram nesta segunda-feira que também identificaram um anticorpo monoclonal que impediu o vírus de infectar culturas de células em laboratório.

De acordo com a publicação Times of Israel, cerca de 100 grupos de pesquisa em todo o mundo estão buscando vacinas, com quase uma dúzia nos estágios iniciais de testes em humanos ou prestes a começar. Mas até agora não há como prever qual vacina, se houver alguma, funcionará com segurança.

Numa vacina típica feita com anticorpos, a neutralização da doença acontece quando os anticorpos feitos em laboratório começam a imitar a resposta natural do sistema imunológico do corpo quando exposto ao vírus.

Um número crescente de fabricantes de vacinas tem afirmado que já está começando a preparar quantidades enormes de doses, arriscando perder milhões de dólares se a vacina escolhida não passar em todos os testes, mas reduzindo em meses o início da vacinação em massa se a escolha se mostrar correta.

* Com informações da Lusa, Reuters, The Times of Israel, Science Direct

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