Atualizado em 10/08/2021

A Islândia possui apenas 360 mil habitantes em uma área de cerca de 103 mil km2. A capital é Reykjavík, cuja região metropolitana abriga cerca de dois terços da população nacional e o maior porto do país.

Formada pela segunda maior ilha da Europa e numerosas pequenas ilhas no litoral, a Islândia situa-se entre a plataforma continental europeia e a Groenlândia.
Formada pela segunda maior ilha da Europa e numerosas pequenas ilhas no litoral, a Islândia situa-se entre a plataforma continental europeia e a Groenlândia.

As características naturais, principalmente as mais peculiares como os gêiseres, as piscinas quentes de lama e os glaciares, atraem muitos visitantes para o país nórdico.

O número de turistas na Islândia diminuiu 75% no ano passado, caindo de 2 milhões de visitantes do exterior, volume 5,5 vezes superior à população do país, para pouco menos de 500 mil.

O PIB da Islândia caiu -6,6% em 2020. O PIB per capita caiu -15%.

No primeiro trimestre de 2021, o PIB do país caiu -5,2% em comparação com o quarto trimestre de 2020.

Em meados de março deste ano, as fronteiras da Islândia foram abertas para estrangeiros vacinados, tornando a ilha do Atlântico Norte um dos primeiros países do mundo a reabrir para turistas em meio à pandemia.

No final de junho, com taxas de infecção muito baixas, vacinação avançada, e rigoroso controle da fronteira, as medidas restritivas domésticas foram suspensas.

As regras de distanciamento, uso de máscara, o número reduzido de pessoas reunidas em espaços públicos e os horários de abertura de bares e restaurantes deixaram de vigorar a partir de 26 de junho.

Para surpresa das autoridades sanitárias, menos de um mês e meio após o levantamento de restrições, um número recorde foi diagnosticado como infectado.

Média móvel de casos diários confirmados de covid-19 na Islândia. Arte: © Our World in Data
Média móvel de casos diários confirmados de covid-19 na Islândia. Arte: © Our World in Data

O que aconteceu nas últimas duas a três semanas é que a variante Delta dominou todas as outras mutações na Islândia. E descobriu-se que os indivíduos vacinados podem contraí-la com relativa facilidade e espalhar a infecção.

Cerca da metade dos pacientes hospitalizados com covid-19 foram totalmente vacinados.

O sequenciamento mostrou que a origem da maioria das infecções domésticas pode ser atribuída a eventos de grupo, como boates no centro de Reykjavík ou viagens em grupo ao exterior.

Imunidade de rebanho

No Natal do ano passado, o epidemiologista-chefe da Islândia, Þórólfur Guðnason, e o CEO da deCode Genetics, Kari Stefansson, pediram apoio à Pfizer para um estudo nacional sobre a capacidade das vacinas de criar imunidade de grupo.

O projeto previa inocular 70% da população do país até o final de março, criando a base de um estudo real sobre se a imunidade coletiva poderia ser alcançada com vacinação.

“O conceito de imunidade coletiva é algo que nunca foi realmente pesquisado”, disse Stefansson na época. “É apenas uma teoria”. O experimento seria, de muitas maneiras, "a campanha de vacinação mais notável que você pode imaginar".

Poderia ter levado um ano ou mais para obter as respostas a todas as perguntas feitas, disse Stefansson. “Trata-se de imunidade de rebanho, se algumas mutações do vírus serão capazes de escapar da imunidade, a rapidez com que o anticorpo se forma no sangue após a vacinação e a velocidade com que começa a diminuir”.

Porém, à medida que novas infecções diminuíam na Islândia, a Pfizer chegou a conclusão de que havia poucos casos para apoiar o estudo. “Como você pode mostrar que uma vacina é uma boa proteção quando não há infecções”, ponderou Stefansson.

O experimento de vacinação acelerada da população seguiu sem a participação do laboratório americano e obteve uma das maiores taxas de imunização do mundo.

Vacinados com ao menos uma dose de imunizante, por faixa etária. Arte: © Our World in Data
Vacinados com ao menos uma dose de imunizante, por faixa etária. Arte: © Our World in Data
Totalmente vacinados, por faixa etária. Arte: © Our World in Data
Totalmente vacinados, por faixa etária. Arte: © Our World in Data
Vacinas administradas na Islândia. Arte: © Our World in Data
Vacinas administradas na Islândia. Arte: © Our World in Data

Embora Guðnason tenha ficado decepcionado com o resultado, não alcançando imunidade de rebanho por meio das vacinas atuais, ele disse que o esforço de imunização do estudo não foi em vão.

“A vacinação evitou doenças graves, não há dúvida sobre isso”, enfatizou.

Guðnason disse ainda que apenas uma outra forma é capaz de alcançar a imunidade coletiva: permitir que o vírus se espalhe, criando imunidade naturalmente induzida pela infecção.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus na Islândia somam 8.900 desde o início da pandemia, com 30 óbitos relacionados ao vírus da covid-19. Em 2021, foi registrada apenas uma morte pela doença, em 25 de maio.

Nova abordagem

O CDC da Islândia diz que o objetivo neste momento não pode ser erradicar o vírus da sociedade e acredita que deve continuar buscando obter imunidade coletiva, enquanto tenta prevenir doenças graves protegendo grupos vulneráveis.

Ainda existem cerca de 30.000 pessoas não vacinadas entre os grupos mais velhos.

Guðnason disse que a prioridade agora é vacinar esses indivíduos e administrar doses de reforço para aqueles que responderam mal à vacinação.

“Precisamos tentar vacinar e proteger melhor aqueles que são vulneráveis, mas também reduzir o nível de infecção que contagia outras pessoas”.

"Acho que está bastante claro que a defesa da Janssen é mais relaxada do que a de outras vacinas", acrescentou Guðnason.

Será oferecida a professores e idosos que receberam a dose única da Janssen uma dose da vacina de mRNA da Pfizer, a ser administrada o mais rápido possível.

Guðnason disse que não é uma prioridade agora vacinar todos com uma terceira dose, "Nós precisamos pensar: surgirá uma nova variante? Temos que vacinar com outra vacina?”.

A batalha contra o vírus será caracterizada por essa incerteza.

"Nós de alguma forma temos que navegar por esse caminho", explicou, tentando prevenir que ocorram muitos casos graves, para que o sistema hospitalar não caia, na busca por alcançar imunidade de rebanho deixando o vírus propagar.

Guðnason acredita que a operação mais importante agora é fortalecer o sistema hospitalar da Islândia e permitir que o Serviço Nacional de Saúde aceite mais pessoas que precisarem de hospitalização.

A nova orientação é semelhante a abordagem que vem sendo utilizada na Suécia desde o início da pandemia, que entende que o vírus não pode ser erradicado pelas tecnologias atuais e que a ênfase em conter sua disseminação a qualquer custo é equivocada.

“As mortes não estão intimamente ligadas à quantidade de casos que você tem em um país. Existem muitos outros fatores que influenciam a quantidade de óbitos. Que parte da população é atingida? São os idosos? Quão bem você pode proteger as pessoas em suas instalações de longo prazo? Quão bem o seu sistema de saúde continua funcionando? Como podemos melhorar o tratamento nas UTIs? Todas essas coisas estão mudando bastante nos últimos meses ... Elas influenciarão muito mais a mortalidade do que a propagação real do vírus”, explicou, em julho do ano passado, o Dr. Anders Tegnell, epidemiologista-chefe da agência sueca de saúde pública.

Atualização 10/08/2021

O professor Sir Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group, disse nesta terça-feira (10)  que "não há nada que o Reino Unido possa fazer para impedir o surgimento de novas variantes".

“A imunidade de rebanho não é uma possibilidade” porque a variante Delta “infecta indivíduos vacinados”.

* Com informações Visir, Iceland Review

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