"Nosso povo não será um dispositivo de teste para empresas fabricantes de vacinas", disse o Presidente. “Devemos comprar vacinas estrangeiras seguras”.

No entanto, a aquisição de vacinas de empresas farmacêuticas dos Estados Unidos e do Reino Unido estão descartadas, por serem "indignas de confiança", disse o Aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo do Irã.

Khamenei baniu as importações das vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca/Oxford.

Com boas relações com Moscou e Pequim, observadores avaliam que Teerã poderá adquirir vacinas russas e chinesas, como Sputnik V e CoronaVac, mas também de um aliado de longa data, Cuba.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse estar impressionado com as conquistas de Cuba na luta contra o vírus durante uma visita a Havana em uma turnê latino-americana em novembro passado.

O Irã iniciou testes em humanos de sua primeira vacina candidata desenvolvida no país no final do mês passado, enquanto Cuba tem quatro vacinas experimentais.

Na sexta-feira (8), o Instituto Finlay de Vacunas anunciou um acordo com o Irã para transferir a tecnologia de sua vacina candidata mais avançada, Soberana 2, ainda em ensaios clínicos de fase 2. O instituto cubano planeja realizar testes de fase 3 em Havana com 150.000 voluntários e no Irã – em colaboração com o Instituto Pasteur do Irã  (IPI) – com 50.000 participantes.

"Não é surpreendente que Cuba e o Irã estejam desenvolvendo uma vacina contra covid-19. Ambos os governos foram submetidos a duras sanções dos EUA que limitaram até mesmo as oportunidades de produção e acesso às vacinas. É uma união geopolítica e pragmática", avaliou Michael Schiffer, presidente da ONG American Dialogue, com sede em Washington.
"Não é surpreendente que Cuba e o Irã estejam desenvolvendo uma vacina contra covid-19. Ambos os governos foram submetidos a duras sanções dos EUA que limitaram até mesmo as oportunidades de produção e acesso às vacinas. É uma união geopolítica e pragmática", avaliou Michael Schiffer, presidente da ONG American Dialogue, com sede em Washington. Foto: © Dr. Kianush Jahanpur

O porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Dr. Kianush Jahanpur, foi citado pela imprensa local confirmando que 50.000 voluntários serão recrutados para participar dos testes clínicos no país da Soberana 2.

A transferência de tecnologia e a produção conjunta são pré-requisitos para permitir testes em humanos no Irã, explicou.

Covax

O Irã está presente no Covax com a condição de que seja possível escolher a vacina mais adequada para o país. O Programa Covax Global é uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Alliance for Vaccines que objetiva acesso equitativo global à vacinas contra o vírus da covid-19.

Contudo, "vacinas americanas e britânicas não estão autorizadas a entrar no país", ressaltou o médico em rede social neste domingo (10).

* Com informações do RT, Reuters

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