Os navios partiram no mês passado do porto de Bandar Abbas, no sul do Irã.

Nesta quinta-feira (10), o Contra-Almirante Habibollah Sayyari, vice-chefe do exército iraniano para coordenação, anunciou que as duas embarcações de guerra chegaram ao Oceano Atlântico após uma viagem de 6.000 milhas náuticas, a viagem mais longa e desafiadora da Marinha iraniana.

“A 77ª Frota Naval Estratégica da Marinha, composta pelo contratorpedeiro 'Sahand' e o navio 'Makran', está presente no Oceano Atlântico pela primeira vez para demonstrar as capacidades do Irã na arena marítima”, disse Sayyari em coletiva de imprensa, segundo a agência oficial de notícias IRNA.

“A frota partiu de Bandar Abbas em 10 de maio e após uma longa jornada de trinta dias de navegação e cruzando o Cabo da Boa Esperança, viajando 6.000 milhas náuticas, está atualmente no Oceano Atlântico”, disse o chefe militar.

O Makran, um petroleiro de 228 metros convertido em navio de logística, pode navegar por três anos sem atracar, carrega equipamentos de coleta e processamento de informações e tem capacidade para transportar sete helicópteros. Reprodução © Ajamediair/rede social
O Makran, um petroleiro de 228 metros convertido em navio de logística, pode navegar por três anos sem atracar, carrega equipamentos de coleta e processamento de informações e tem capacidade para transportar sete helicópteros. Reprodução © Ajamediair/rede social

“A Marinha está melhorando sua capacidade marítima e provando sua durabilidade de longo prazo em mares desfavoráveis e nas condições climáticas desfavoráveis do Atlântico”, comentou Sayyari, acrescentando que os navios de guerra não pararam em nenhum outro porto durante a missão.

O Irã investiu substancialmente em tecnologia naval produzida localmente nos últimos anos em meio a tensões crescentes com os Estados Unidos, Israel e seus aliados ocidentais.

Sayyari afirmou que a presença de navios iranianos no Atlântico reflete sua crença no direito inalienável da Marinha do Irã de navegar em águas internacionais.

Venezuela

No final de maio, o site Politico publicou que o destino final dos navios pode ser a Venezuela.

O governo dos EUA disse que se os navios estiverem transportando cargas militares, representam uma ameaça à segurança regional.

Imagens da Maxar Technologies datadas de 28 de abril parecem mostrar sete lanchas de ataque rápido no convés do Makran em Bandar Abbas, Irã. Imagem de satélite © 2021 Maxar Technologies
Imagens da Maxar Technologies datadas de 28 de abril parecem mostrar sete lanchas de ataque rápido no convés do Makran em Bandar Abbas, Irã. Imagem de satélite © 2021 Maxar Technologies

Não se sabe exatamente onde o Makran e o destróier estão agora.

Durante uma entrevista coletiva em 31 de maio, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, se recusou a dizer para onde o Makran estava indo.

“O Iran está sempre presente em águas internacionais e tem esse direito com base no direito internacional e pode estar presente em águas internacionais”, disse. “Nenhum país pode violar esse direito, e alerto que ninguém comete erros de cálculo. Aqueles que se sentam em casas de vidro devem ter cuidado”.

O destróier iraniano Sahand é equipado com mísseis, sistemas de defesa aérea e torpedos. Foto: © Army of the Islamic Republic of Iran
O destróier iraniano Sahand é equipado com mísseis, sistemas de defesa aérea e torpedos. Foto: © Army of the Islamic Republic of Iran 

Embora Teerã não tenha comentado sobre o destino dos navios nem sobre sua carga, ressaltou que não há proibição de venda de armas pelo Irã a outros países de acordo com a Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU.

"A América há muito tenta fazer com que a resolução seja violada [por outros], mas sem sucesso", disse o porta-voz do governo iraniano, Ali Rabiei, em uma entrevista coletiva na terça-feira (8), fazendo referência às tentativas de Washington no ano passado de manter o embargo de armas, que expirou em 18 de outubro após 13 anos de vigência.

“O Iran reserva-se o direito de desfrutar de laços comerciais normais no âmbito da lei e regulamentos internacionais e considera qualquer interferência e monitoramento dessas relações como ilegais e insultuosos, e condena veementemente isso”, disse Rabiei.

Questionado sobre o embargo de armas, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, confirmou que ele expirou em outubro, dizendo, no entanto, que "é uma pena que uma ferramenta importante não esteja mais disponível".

Ao reconhecer a necessidade de liberdade de navegação e admitir que os EUA desconhecem o destino e a carga dos navios iranianos, o porta-voz avisou Teerã contra "a transferência de armas ou outros materiais ilícitos", alegando que Washington pode tentar para “eliminar tal atividade”.

Contudo, mesmo se os oficiais dos EUA verificarem que os navios estão carregando armas que violam as sanções dos EUA contra Caracas, e desde que os navios de guerra iranianos não ameacem o uso da força, a imunidade soberana os protege onde quer que estejam.

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