A OTAN e o Pentágono desenvolveram a doutrina de operações de combate multi-domínio (MDO), realizadas simultaneamente em terra, mar, ar, espaço e ciberespaço.

Conceitualmente, as MDO começam com um ataque aéreo integrado massivo – para desativar em questão de horas os objetos das forças nucleares inimigas, as unidades prontas para combate, os pontos de comunicação, energia e outras infraestruturas estrategicamente importantes – seguido por uma campanha significativa de manobras terrestres.

Conforme observado no artigo do Dr. Vladilen Stuczynski e Mikhail Korolkov, a OTAN planeja usar mísseis hipersônicos, táticos e de cruzeiro, drones de ataque e aeronaves tripuladas, que quase não sofrerão perdas, apenas na primeira fase.

Stuchinsky e Korolkov avaliam, no entanto, que a abordagem não é infalível.

Para interromper o bombardeio e frustrar as operações terrestres, os autores propõem aos militares lançar um contra-ataque massivo ou um ataque preventivo pela VKS, em que todos os meios em um único reconhecimento e espaço de ataque serão utilizados, e que permitirá infligir danos inaceitáveis ao inimigo no estágio inicial de sua agressão.

“Ao implementar a interrupção de um ataque aéreo integrado do inimigo na fase inicial de uma operação multi-domínio é necessário coordenar o uso da aviação com veículos aéreos não tripulados, mísseis de vários fins, armas de guerra eletrônica, armas baseadas em novos princípios físicos dentro da estrutura do sistema de reconhecimento e ataque", diz a publicação.

Até 2025–2040, escrevem os autores, os elementos típicos do sistema de reconhecimento doméstico e ataque serão aviões, helicópteros, mísseis de cruzeiro e balísticos para fins táticos e operacional-táticos, drones.

Como um exemplo específico de elementos do sistema, a publicação cita os mísseis hipersônicos Dagger, que são transportados hoje por aeronaves MiG-31K.

Com base no discurso do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Valery Gerasimov na conferência da Academia de Ciências Militares, dado o caráter defensivo da doutrina militar russa, os autores consideram ações preventivas (“um passo – dois à frente” ) como o princípio mais importante para combater uma possível agressão.

Na avaliação dos autores, com a ameaça de uma guerra local, a Rússia é capaz de passar de uma política de dissuasão nuclear para, utilizando todos os tipos de armas, infligir preventivamente uma derrota inaceitável ao inimigo.

“A Rússia é capaz de mudar da dissuasão nuclear para uma política de intimidação de inimigos potenciais com destruição intolerável e complexa por todos os tipos de armas como parte das ações preventivas em face da ameaça de guerra local que paira sobre a Federação Russa”.

"O fracasso do ataque integrado da OTAN desde o início levará ao insucesso em atingir os objetivos da operação multi-domínio e a liderança do bloco militar garantirá que será abandonada", enfatizam os autores.

A análise aborda ainda temores sobre o potencial bombardeio de alvos militares russos importantes depois que os EUA retiraram-se unilateralmente do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), que proibia Washington e Moscou estacionarem na Europa mísseis de curto e médio alcance.

Nos últimos anos, a Rússia tem protestado repetidamente da atividade sem precedentes da OTAN próxima de suas fronteiras ocidentais, que a aliança militar classifica como "contenção da agressão russa".

* Com informações do Rusvesna.su

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