A OTAN tem enviado à Ucrânia uma grande quantidade de armas leves, metralhadoras e lança-mísseis, além de armamento pesado avançado.

A União Europeia é “um destino provável para estas armas, porque os preços das armas de fogo no mercado negro são significativamente mais altos na Europa, especialmente nos países escandinavos”, explicou Stock, esta quinta-feira (2), em declarações à Anglo-American Press Association, em Paris.

"Podemos esperar um fluxo de armas na Europa e além. Elas vão aparecer não só na região vizinha da zona de um conflito, mas temos experiência de que essas armas possam ser traficadas para outros continentes", disse o chefe da Interpol.

“Vimos isso na região dos Balcãs, vimos nos teatros [de guerra] da África que, é claro, grupos do crime organizado tentam explorar estas situações caóticas e a disponibilidade de armas, mesmo as utilizadas pelas forças armadas, incluindo armas pesadas”, disse Stock. “Criminosos já estão, neste momento, a focar-se”.

De fato, não será a primeira vez que isso acontecerá na Ucrânia.

Em 2014, no rastro da anexação da Crimea e do conflito com os separatistas do Donbass, a Ucrânia virou um polo do tráfico de armas, com sucessivos desvios e roubos de armamento de Kiev e Moscou.

Uma investigação da Reuters, em 2016, levantou que um militante francês tinha sido detido por guardas fronteiriços ucranianos, quando tentava entrar na Polônia, levando kalashnikovs e até lança-mísseis. À época, muito armamento pesado subtraido de arsenais ucranianos era enviado para o Médio Oriente a partir do porto de Odessa – uma cidade conhecida pela sua máfia – que no momento está sob bloqueio da frota russa do Mar Negro. Já as armas vendidas pelos separatistas eram sobretudo compradas por insurgentes chechenos ou inguchenos, que as enviavam para o Cáucaso.

A entrega pelas autoridades ucranianas de armamento livremente à população vai criar um desafio, disse Stock.

As armas "estarão disponíveis no mercado criminal e criarão um desafio. Nenhum país ou região pode lidar com isso isoladamente porque esses grupos operam em nível global".

Stock disse ainda que o conflito na Ucrânia também levou a um aumento no roubo de fertilizantes em larga escala e a um aumento de agrotóxicos falsificados. Houve também um grande aumento no roubo de combustível.

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