A Intelsat foi uma das fundadoras de um grupo que fez lobby para a venda privada de parte da banda C, essencial para a transição dos EUA para a tecnologia sem fio de quinta geração, ou 5G.

A banda C é um segmento de espectro de 500 megahertz sendo usado atualmente pelas empresas de satélite para distribuir conteúdo de áudio e vídeo a emissoras e sistemas a cabo. Esses serviços serão realocados nos 200 megahertz superiores da banda (4,0 a 4,2 GHz), enquanto os 280 megahertz inferiores (3,7–3,98 GHz) ficarão disponíveis para uso flexível, incluindo 5G, através de um leilão público.

A venda privada teria gerado até US$ 24 bilhões para a Intelsat. O problema é que as operadoras de satélite não tem direito claro de vender esse espectro. Assim, os reguladores rejeitaram o plano, decidindo oferecer pagamentos compensatórios às operadoras que desocuparem a faixa 3,7–3,98 GHz antes do previsto.

A Intelsat, que opera a maior rede de satélites do mundo, é elegível para receber até US$ 4,9 bilhões em pagamentos compensatórios, mas para liberar o espectro, despesa estimada em US$ 1 bilhão, a empresa gastará US$ 500 milhões este ano, enquanto o reembolso e taxas de incentivo não deverão ocorrer antes de 2021.

Novos satélites precisarão ser lançados e filtros substituídos em estações terrestres como parte da realocação.

"Essas atividades precisam começar imediatamente, muito antes que os custos comecem a ser reembolsados", disse a empresa em nota.

A Intelsat afirmou ter garantido um compromisso de financiamento de US$ 1 bilhão que, após a aprovação da recuperação judicial (Chapter 11 bankruptcy), permitirá à empresa arcar com os custos substanciais para fazer a realocação e adquirir satélites de segunda geração.

O gerente-geral da Intelsat no Brasil, Márcio Brasil, afirmou na sexta-feira (15), que a recuperação judicial da holding americana não afetará a subsidiária brasileira. O executivo participou da live Tudo Sobre 5G, organizada pelo Tele.Síntese, que debateu a posição das empresas do setor sobre o leilão de espectros a ser realizado pela Anatel.

“Não se trata de uma recuperação judicial que envolva temas operacionais. É voltada a um investimento necessário para uso da banda C nos Estados Unidos. Não tem impacto operacional no Brasil, e nem em outras unidades no mundo”, afirmou Márcio Brasil. Por aqui, disse, tudo segue “business as usual”.

* Com informações da Barron's, Tele.Síntese, Intelsat, Space.com

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