O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou o ano com alta de +10,16%, acima dos +5,45% registrados em 2020.

Em dezembro, o IBGE apurou alta de +0,73% no INPC, mesma variação do IPCA. O resultado ficou 0,11 p.p. abaixo do registrado no mês anterior (+0,84%).  Em dezembro de 2020, a taxa foi de +1,46%.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados entre 30 de novembro e 28 de dezembro de 2021 (referência) com os preços vigentes entre 29 de outubro e 29 de novembro de 2021 (base).

Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em dezembro.

A maiores variações foram registradas em Vestuário (+2%), Artigos de Residência (+1,37%) e Alimentação e Bebidas (+0,84%), grupo este que contribuiu com o maior impacto no índice do mês (0,17 p.p.). As variações de Habitação (+0,74%) e Transportes (+0,58%) foram inferiores às observadas em novembro (+1,03% e +3,35%, respectivamente). O grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve alta de +0,75% após queda de -0,57% em novembro.

Quanto aos índices regionais, todas as áreas pesquisadas registraram variação positiva em dezembro. O menor índice foi observado na região metropolitana de Curitiba (+0,29%), influenciado pela queda nos preços da gasolina (-1,28%) e do etanol (-4,37%). Já a maior variação foi registrada na região metropolitana de Salvador (+1,18%), puxada por altas nos preços dos itens de higiene pessoal (+3,29%) e da taxa de água e esgoto (+8,73%).

Região Peso (%) Variação (%)
Nov Dez 2021
Brasil 100,00 0,84 0,73 10,16
Salvador 7,92 1,31 1,18 11,09
Rio Branco 0,72 0,79 1,05 11,06
Recife 5,60 0,82 1,05 10,18
São Luís 3,47 0,52 0,99 9,38
Aracaju 1,29 0,85 0,92 9,69
Porto Alegre 7,15 0,95 0,88 11,38
Belém 6,95 0,11 0,87 7,75
Belo Horizonte 10,35 0,81 0,77 9,55
Goiânia 4,43 1,20 0,67 9,48
Rio de Janeiro 9,38 0,69 0,67 8,78
São Paulo 24,60 0,77 0,60 10,19
Fortaleza 5,16 0,99 0,59 10,80
Vitória 1,91 0,87 0,50 11,44
Brasília 1,97 1,01 0,49 9,83
Campo Grande 1,73 1,30 0,45 10,85
Curitiba 7,37 1,05 0,29 12,84
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

Calculado pelo IBGE desde 1979, o INPC busca retratar o impacto da inflação sobre as famílias de baixa renda através da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento.

Atualmente, a população-objetivo do INPC abrange as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, cuja pessoa de referência é assalariada, residentes nas áreas urbanas das regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Esta faixa de renda foi criada com o objetivo de garantir uma cobertura populacional de 50% das famílias cuja pessoa de referência é assalariada e pertencente às áreas urbanas de cobertura do SNIPC - Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor. Segundo o Ministro Paulo Guedes, cerca de 75% dos trabalhadores CLT tem salário bruto inferior a 1,5 salário mínimo.

IPCA

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano com variação de +10,06%, acima dos +4,52% registrados em 2020, extrapolando a meta de 3,75% definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2021, cujo teto era de 5,25%.

Três grupos responderam por quase 80% da variação do IPCA de 2021:

  • Transportes (+21%), +4,19 p.p.
  • Habitação (+13%), +2,05 p.p.
  • Alimentação e Bebidas (+8%), +1,68 p.p.

Transportes

A alta de +21% do grupo Transportes está relacionada principalmente ao comportamento do preço dos combustíveis (+49%) ao longo de 2021. A gasolina, subitem de maior peso no IPCA, subiu +48%, e o etanol, +62%. O resultado do grupo também foi impactado pela alta dos automóveis novos (+16%) e usados (+15%). Destacam-se ainda os aumentos das passagens aéreas (+18%) e dos transportes por aplicativo (+34%).

Habitação

No grupo Habitação (+13%), a maior contribuição (1 p.p.) veio do aumento da energia elétrica (+21%) – as mudanças no valor da cobrança extra foram decisivas para o resultado do item no IPCA. Outro destaque foi o gás de botijão (+37%), cujos preços subiram em todos os meses de 2021. Com isso, o subitem contribuiu com o 2° maior impacto dentro do grupo (0,41 p.p.).

Alimentação e Bebidas

A variação de Alimentação e Bebidas (+8%) foi menor que no ano anterior (+14%). Na Alimentação no Domicílio (+8%), as maiores altas vieram do café moído (+50%), com impacto de 0,15 p.p., da mandioca (+48%) e do açúcar refinado (+48%). Por outro lado, subitens como a batata inglesa (-23%) e o arroz (-17%) tiveram queda de preços em 2021 –  em 2020 o arroz subiu +76%. Nos Artigos de Residência (+12%), os destaques foram os itens mobiliário (+16%) e eletrodomésticos e equipamentos (+14%). Além disso, os preços dos produtos de tv, som e informática (+11%) também subiram em 2021.

No que diz respeito aos índices regionais, a região metropolitana de Curitiba (+12,73%) foi a que teve a maior variação do IPCA em 2021, influenciada principalmente pela alta de +52% nos preços da gasolina. O menor resultado ocorreu na região metropolitana de Belém (+8,10%), onde as maiores quedas vieram do arroz (-30%) e do açaí (-10%).

Calculado pelo IBGE desde 1980, o IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. A faixa de renda foi criada com o objetivo de garantir uma cobertura de 90% das famílias pertencentes às áreas urbanas de cobertura do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor - SNIPC.

Atualmente, a população-objetivo do IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte.

* Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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