A expectativa era que os planos para introduzir passaportes de vacinas para acesso a casas noturnas e grandes eventos na Inglaterra seriam apresentados no final deste mês.

Segundo o esquema, as pessoas seriam obrigadas a apresentar provas – de vacinação, teste negativo de infecção, ou término do auto-isolamento após um resultado positivo – para obter acesso a clubes e outros eventos lotados.

Associações comerciais ligadas à vida noturna esperam que as empresas possam agora começar a reconstruir o setor e recuperar a confiança dos clientes.

Questionado se o governo estava "assustado" com as críticas de seus próprios parlamentares, Javid rejeitou a hipótese, contrapondo que os passaportes de vacina não são necessários por causa das barreiras de defesa levantadas, incluindo alta taxa de vacinação, testes de infecção, vigilância de casos e novos tratamentos.

Reviravolta

A mudança para descartar os passaportes de vacina é uma reviravolta brusca por parte do governo.

NO domingo passado, no mesmo programa da BBC, o Ministro das Vacinas, Nadhim Zahawi, disse que o final de setembro era o momento certo para iniciar o esquema de passaportes para locais com multidões, porque os maiores de 18 anos já teriam recebido duas doses e seria a "melhor maneira de manter o setor noturno aberto".

Na sexta-feira (10), o Secretário de Cultura Oliver Dowden disse que "quase certamente" os passaportes seriam necessários para as casas noturnas neste outono europeu, mas disse que preferia um uso mais limitado deles.

Neste domingo, às 08:30 BST, Sajid Javid disse na Sky News que o governo esperava evitar tê-los, e na próxima hora disse à BBC que o governo não iria adiante com os planos de introduzir passaportes de vacina.

A decisão vale apenas para a Inglaterra. A Escócia vai adotar o certificado de vacinação para entrada em casas noturnas e grandes eventos a partir de outubro. O País de Gales deverá avaliar a obrigatoriedade do certificado nesta semana.

Atualização 13/09/2021

Downing Street agora diz que os passaportes continuam sendo uma parte crucial do "plano Covid de inverno" do Reino Unido, depois do Secretário de Saúde ter afirmado que os planos para sua introdução foram cancelados (Sunday Times).

Cabe notar que o governo britânico é silencioso quanto a qualquer disposição de rescindir a Lei do Coronavírus, legislação que permite todo o conjunto de medidas de gestão de emergência da pandemia e não tem uma cláusula de caducidade.

De acordo com o Financial Times, porém, um porta-voz do governo disse na semana passada que "o público britânico espera que retenhamos esses poderes caso sejam necessários durante o inverno". Em suma, quanto mais a população viver com medidas de "emergência", mais normais elas se tornarão – e menos entusiasmados os governantes estarão em ter esses poderes revogados.

A reviravolta de Javid em uma medida que é abertamente draconiana e de pouco uso prático, é menos uma vitória substantiva para a liberdade individual e mais uma concessão à sua aparência.

* Com informações da BBC

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