Alguns investidores disseram ao Financial Times que o European Central Bank (ECB) parece muito relaxado com o aumento dos preços.

“Pode ser uma ilusão por parte da presidente do ECB [Christine] Lagarde quando ela declara que as pressões sobre os preços não vão sair do controle – já estão e é difícil seguir o argumento de que vai diminuir em breve”, disse Charles Hepworth, diretor de investimentos da GAM Investments.

Jens Weidmann, que está de saída da presidência do Bundesbank, o banco central alemão, advertiu nesta terça-feira (30) o ECB para “ser cauteloso com qualquer pressão para manter o seu curso muito flexível por mais tempo do que o ditado pela perspectiva de preços”.

Os comentários do banqueiro ocorrem em um momento em que um aumento de 6% nos preços ao consumidor alemães, o aumento mais rápido em quase 30 anos, está causando inquietação política.

O ECB tentou acalmar a ansiedade sobre o aumento dos preços, dizendo que muitas causas pontuais da inflação, como o aumento dos preços da energia, gargalos na cadeia de suprimentos e a reversão do corte de impostos sobre vendas na Alemanha, desaparecerão no próximo ano.

Um aumento de 27,4% nos preços da energia em novembro em relação ao ano anterior foi o maior fator de inflação nos 19 países do bloco. Mas os preços dos alimentos, serviços e bens subiram mais rápido do que a meta de 2% do ECB.

O aumento da inflação deve colocar mais pressão sobre o European Central Bank (ECB) para reduzir seu estímulo monetário. Fonte: ECN, Arte: © FT
O aumento da inflação deve colocar mais pressão sobre o European Central Bank (ECB) para reduzir seu estímulo monetário. Fonte: ECN, Arte: © FT

Luigi Speranza, economista-chefe global do BNP Paribas, disse ao FT: “É muito difícil ignorar números como os que vemos hoje, então haverá demandas crescentes por compensação em salários mais altos para os trabalhadores”.

Há sinais de que as autoridades do ECB também duvidam que a inflação caia tão rápido quanto pensavam.

“Em 2022, os gargalos podem durar mais do que o esperado”, disse Luis de Guindos, vice-presidente do ECB, em entrevista ao Les Echos publicada nesta terça-feira. “Há o risco de a inflação não cair tão rápido e tanto quanto previmos”.

* Com informações do Financial Times (FT)

Veja também: