O relatório do governo também mostrou que o índice de preços ao consumidor subiu 1,2% de fevereiro a março, ante um aumento de 0,8% de janeiro a fevereiro.

O índice de gasolina subiu 18,3% em março e representou mais da metade do aumento mensal de todos os itens. O índice alimentar subiu 1,0%.

Foi a primeira apuração de inflação que incluiu um mês inteiro do impacto da crise na Ucrânia, que turvou significativamente a perspectiva global. A Rússia é um dos maiores exportadores mundiais de energia, e a Rússia e a Ucrânia são grandes fornecedoras de trigo e outros grãos.

As sanções dos EUA e seus aliados contra a economia russa afetaram parcialmente os mercados globais de alimentos e energia.

A nova escalada dos preços da energia levou a um aumento dos custos de transporte para o envio de mercadorias e componentes em toda a economia, o que, por sua vez, tem contribuído para preços mais altos para os consumidores.

A disparada da inflação reforça as expectativas de que a Federal Reserve (Fed) aumentará as taxas de juros agressivamente nos próximos meses. Os mercados financeiros agora preveem aumentos muito mais acentuados das taxas este ano do que as autoridades do Fed haviam indicado no mês passado.

O Fed também poderá começar a reduzir o tamanho de seu balanço já em maio, com autoridades sinalizando seu apoio a um limite mensal de 95 bilhões de dólares, um ritmo muito mais rápido de queda nas participações em títulos do que no período 2017-19.

A Secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, acusou Putin pelo aumento dos preços.

Mas o Senador Joe Manchin, do Partido Democrata, disse que "o Federal Reserve e a administração Biden falharam em agir rápido o suficiente, e os dados de hoje são um instantâneo no tempo das consequências que estão sendo sentidas em todo o país".

Ele acrescentou que foi um "desserviço ao povo americano agir como se a inflação fosse um novo fenômeno".

Em uma nota de 29 de abril de 2021, James Knightley, economista-chefe do ING, escreveu que a escassez de capacidade de oferta nos EUA na época poderia ser um sinal de que "as pressões inflacionárias podem ser mais sustentadas do que o Fed está publicamente admitindo".

No mês seguinte, Marko Kolanovic, estrategista-chefe de mercados globais do JPMorgan, escreveu um artigo apontando que a inflação americana seria persistente.

Em novembro de 2021, o Ministro da Economia Paulo Guedes alertou que a inflação não seria transitória. Em janeiro de 2022, Guedes defendeu sua visão sobre a crescente ameaça da inflação e o efeito duradouro sobre o Ocidente na videoconferência Perspectivas Econômicas Globais, promovida pelo Fórum Econômico Mundial (WEF).

O moderador do painel, Geoff Cutmore, jornalista financeiro inglês da CNBC Europe em Londres, se surpreendeu com a posição clara de Guedes, oposta à narrativa das autoridades monetárias dos Estados Unidos e da União Europeia.

Manchin, que bloqueou os amplos planos de gastos sociais de Biden, alegando que eles eram inflacionários, disse que trazer os preços "sob controle exigirá uma ação mais agressiva" do Fed, bem como uma mudança na política energética no Capitólio.

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