O índice de inflação subjacente, que exclui as categorias voláteis da alimentação e energia, aumentou 4,2% em dezembro face há um ano.

A subida generalizada dos preços foi sobretudo notória nos alimentos, com os preços registrando alta de 4,5% em dezembro. Os combustíveis continuaram também a subir, mas recuaram para 22,7% face a 23,2% em novembro.

Os economistas antecipam que a taxa de inflação venha a aumentar ainda mais nos próximos meses, especialmente a partir de abril, quando os preços da água, gas e eletricidade deverão aumentar fortemente com a revisão dos limites de preços da energia por parte do regulador britânico.

Com a taxa de inflação bastante cima da meta do Banco da Inglaterra (2%), a autoridade monetária está avaliando um novo aumento dos juros em fevereiro.

As "bunds" alemãs voltaram a ser negociadas nesta quarta-feira acima de zero após três anos em território de juros negativos, com os investidores antecipando uma intervenção mais rápida dos bancos centrais para conterem os avanços da inflação.

Em meados de dezembro passado, os papéis eram negociados com juros negativos de -0,4%, com os investidores dispostos a pagar para deter obrigações alemãs.

"É o reajuste de expectativas do Fed que tem sido claramente responsável pela subida das taxas alemãs", explica o Rabobank, em comentário divulgado nesta quarta-feira, face às mudanças no discurso do banco central norte-americano.

Com a taxa de inflação nos Estados Unidos em torno de 7% em 2021, a maior variação desde 1982, e as pressões inflacionárias persistentes, a expectativa do mercado é que o Fed realize a primeira subida de juros já em março.

Na Europa, o Banco Central Europeu deverá esperar, pelo menos, até ao próximo ano para alterar os juros, mas vários membros do banco central têm garantido que a autoridade monetária está preparada para agir caso a inflação continue a escalar.

François Velleroy, membro do BCE, disse na terça-feira que o banco vai ajustar rapidamente a sua política caso a inflação continue a aumentar.

"Se a inflação se revelar mais persistente, não há dúvidas que teremos a vontade, a capacidade para ajustar a nossa política monetária mais rápido para garantir o retorno ao objetivo de 2%", afirmou Velleroy.

Também Christine Lagarde, presidente do BCE, garantiu que o banco "não irá hesitar" quando chegar a hora de subir juros.

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