O ex-presidente Mauricio Macri chegou ao poder prometendo que seria fácil reprimir a inflação, que era então a metade dos níveis atuais.

Macri conduziu um dos programas monetários mais rigorosos da história da Argentina, implementado no final de 2018.

Não reduziu a inflação e aprofundou o endividamento e a recessão.

O governo da província de Buenos Aires, a maior da Argentina, anunciou na terça-feira (14) que atrasará até 1º de maio um pagamento de US$ 250 milhões com vencimento em 26 de janeiro.

O Governo Fernández confirmou que não irá socorrer a província.

O mercado receia que o default provincial possa contaminar as negociações em andamento, dadas as pesadas obrigações que vencem nas próximas semanas.

Fernández está conversando com credores para reestruturar US$ 100 bilhões.

"Acho que daqui até 31 de março nossa trajetória ficará muito clara",  afirmou Fernández em entrevista ao site El Cohete a la Luna. "Esse é o teto que estabelecemos,  porque há vencimentos significativos".

"Se eles não resolverem a situação da dívida, será muito difícil estabilizar a inflação", disse Marina dal Poggetto, da EcoGo. "Eles não podem continuar queimando as reservas do banco central".

Em janeiro, os depósitos em dólar caíram cerca de US$ 40 milhões por dia.

"Eles estão apostando na solução da situação da dívida no primeiro trimestre”, disse Javier Alvaredo, da ACM. "Se a Argentina acabar inadimplente com sua dívida, a inflação provavelmente se deteriorará ainda mais este ano".

Nesta quarta-feira (15), foi divulgado que os preços subiram 3,7% em dezembro.

Em 2019, a inflação foi maior nos setores de saúde (72%);  comunicação (64%); equipamentos e manutenção do lar (64%); alimentos e bebidas não alcoólicas (57%).

A expectativa é que o governo se contentará com inflação de 40% este ano, caso obtenha sucesso na restruturação da dívida.

* Com informações do FT e El Cohete a la Luna

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