No combate à propagação do vírus da covid-19 no campus, a Clemson University determinou um conjunto de medidas de vigilância sanitária onde o teste para o coronavírus SARS-CoV-2 foi mandatório para todos os alunos.

No outono de 2020, como condição para receber acesso às instalações do campus,
estudantes e funcionários foram obrigados a fornecer um resultado negativo do teste PCR para o vírus, ou positivo para testes sorológicos de anticorpos.

Durante o período de aulas presenciais (21/09 a 25/11), todos os alunos com acesso ao campus foram submetidos à vigilância obrigatória por meio de testes PCR de esfregaços nasais ou de saliva. Os alunos residentes no campus foram testados semanalmente e os demais aleatoriamente.

Para renovar o acesso ao campus em 2021, os alunos forneceram, entre 28 de dezembro e 3 de janeiro, resultados atualizados de teste PCR ou sorológico.

Durante o semestre de primavera, iniciado em 6 de janeiro, todos os estudantes e funcionários passaram a ser submetidos a testes compulsórios semanais de saliva.

Com alta conformidade, os testes geraram dados que possibilitaram a realização do estudo observacional Risk of SARS-CoV-2 reinfection in a university student population, publicado em 16 de maio na Clinical Infectious Diseases, o primeiro trabalho científico a examinar o risco de reinfecção por SARS-CoV-2 em uma população de pessoas jovens, um grupo que raramente sofre efeitos adversos graves com a infecção e que geralmente tem um sistema imunológico robusto.

O estudo focou os alunos de 17 a 24 anos testados entre a instrução online (19/08) e o fim da instrução presencial (25/11) – estudantes que testaram positivo antes de 19/08 ou entre 06/10 e 27/12 foram excluídos da análise.

Foram selecionados dois grupos para acompanhamento: 2.021 alunos que testaram positivo entre 19/08 e 05/10; e 14.080 que testaram negativo até 28/12.

A idade média foi de 20 anos, 34% moravam na universidade, 51,5% eram mulheres e 48,5% eram homens.
A idade média foi de 20 anos, 34% moravam na universidade, 51,5% eram mulheres e 48,5% eram homens.

O período de acompanhamento se estendeu de 28 de dezembro a 1º de maio de 2021.

Dos 14.080 alunos com teste negativo no outono passado, 1.697 (12%) tiveram resultados positivos na primavera.

Em contraste, dos 2.021 alunos previamente infectados, 44 (2,2%) foram reinfectados 12 a 30 semanas após a infecção inicial.

Número de infecções no período 28 de dezembro a 1º de maio de 2021. (c) Confirmação por teste PCR negativo entre a infecção original e a reinfecção
Número de infecções no período 28 de dezembro a 1º de maio de 2021. (c) Confirmação por teste PCR negativo entre a infecção original e a reinfecção

O tempo médio para reinfecção foi de 129 dias (intervalo: 86-231 dias). A estimativa de Kaplan-Meier da probabilidade de nenhuma reinfecção por pelo menos 8 meses foi de 97%.

A proteção estimada contra infecção recorrente, incluindo assintomática, foi de 84% (IC 95%: 78-88%).

Ao excluir reinfecções sem um teste negativo confirmatório entre a infecção original e a reinfecção, a proteção estimada aumenta para 88% (IC 95%: 83-91%).

As estimativas de proteção foram menores para estudantes residentes no campus – principal estimativa da análise: 77% (IC 95%: 63-85%); estimativa de análise de sensibilidade: 84% (IC 95%: 72-90%).

Alunas da Clemson vibram com jogo exibido em telão da universidade (16/05/2021). Foto: © TigerNet
Alunas da Clemson vibram com jogo exibido em telão da universidade (16/05/2021). Foto: © TigerNet

Os autores ressaltam que os estudantes universitários, especialmente aqueles que compartilham moradia (congregate housing), tendem a se envolver em interações sociais de alta densidade, e podem, portanto, estar em um maior risco de reinfecção em comparação com outros indivíduos nessa faixa etária.

Estudos anteriores baseados em testes voluntários relataram taxas de reinfecção de SARS-CoV-2 abaixo de 1% e proteção estimada de infecção anterior entre 80-83% nas populações com menos de 65 anos.

Veja também: