O levantamento foi realizado pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu), organização criada em 2016 por professores e pesquisadores da Unicamp, UFSCar, UFABC, USP, Unifesp e IFSP.

De acordo com a Repu, houve pedido ao governo estadual dos dados oficiais de infecção especificamente em professores e funcionários, inclusive via Lei de Acesso à Informação, mas o pedido não foi respondido.

Os pesquisadores recorreram então a dados coletados pelos docentes das subsedes da Apeoesp – sindicato dos professores da rede estadual – com a finalidade de acompanhar o quadro da pandemia nas escolas do Estado de SP após retornos às atividades presenciais em 8 de fevereiro.

Os dados constam em nota técnica elaborada pelos professores Ana Paula Corti e Leonardo Crochik, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Débora Cristina Goulart, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Fernando Cássio e Salomão Ximenes, ambos da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Diante dos resultados, o grupo de pesquisadores concluiu, no documento, que “a retomada das atividades escolares presenciais não pode ser considerada segura nas escolas da rede estadual, ao contrário do que anuncia o governo de São Paulo”.

A nota técnica aponta que houve “problemas metodológicos e conclusões infundadas” nas informações sobre a infecção nas escolas divulgadas pela Secretaria da Educação do Estado em boletim epidemiológico.

Uma das críticas diz respeito à Secretaria da Educação calcular a incidência de infectados com base no número total de matrículas nas escolas públicas e privadas, sendo que a população exposta – aquela que realmente frequentou as escolas – é substancialmente menor, o que torna os coeficientes de incidência divulgados no boletim “claramente subestimados”, avalia a Repu.

A organização também questiona o cálculo de uma única taxa de incidência para estudantes, professores e funcionários, diluindo os números das infecções dos servidores em meio ao de crianças e adolescentes, sendo estes menos propensos a desenvolver formas sintomáticas ou graves de covid-19, além de constituírem a quase totalidade (93%) da população escolar.

Com base na metodologia adotada, a Secretaria da Educação defende que “no período acumulado, desde a primeira até a nona semana epidemiológica, a taxa de incidência notificada pelas escolas públicas e privadas foi 33 vezes menor do que a do Estado".

A nota técnica da Repu pondera que “se isso fosse verdade, concluiríamos que é a ida à escola – e não o isolamento doméstico – a forma mais segura de nos protegermos da covid-19”.

* Com informações da Agência Brasil

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